SAN FRANCISCO, 11 fev (AFP) - A política de prevenção contra a transmissão da Aids revela suas limitações nos Estados Unidos, nas grandes cidades como Nova York e nos centros de estudo da Carolina do Norte, segundo trabalhos apresentados nesta quarta-feira em conferência médica em San Francisco (Califórnia, sudoeste).
Um estudo feito em 2001 em Nova York mostrou que 2,8% do total de homens que vivem na ilha de Manhattan tiveram diagnóstico positivo para o vírus HIV-Aids.
A proporção de homens na faixa de 40-49 anos diagnosticados com HIV-Aids chega a 3,9% em Manhattan, segundo o estudo feito pelo departamento de Saúde da cidade de Nova York.
David Nash, responsável pelos trabalhos, disse que "a cidade de Nova York compreende 3% da população americana, mas registra 15% dos casos de Aids do país e 18% das mortes causadas por Aids em 2001".
A epidemia continua afetando, na maioria, negros e latinos, que têm, respectivamente, cinco e duas vezes e meia mais riscos que os brancos de contrair o vírus.
Quase um terço dos casos detectados em Nova York estão em fase tardia, o que reduz as possibilidades de sobrevivência dos doentes.
Outro estudo feito no campus universitário da Carolina do Norte demonstrou a freqüência do comportamento de alto risco entre a população negra homossexual.
"É um sinal de alerta, o HIV continua sendo transmitido", afirmou Lisa Hightow, da Universidade Chapel Hill da Carolina do Norte, que participou de um estudo feito entre 1º de janeiro de 2001 e 1º de maio de 2003.
Os trabalhos mostraram que a freqüência das relações sexuais por via anal não protegidas era de 25% a 40% entre os estudantes que participaram do estudo, com idade média de 22 anos.
Durante a realização do estudo, 423 novos casos de Aids foram registrados entre homens em toda a Carolina do Norte, 13% deles em estudantes. Desse percentual de 13%, 88% são negros e 91% homossexuais.
Os pesquisadores dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, sigla em inglês) de Atlanta (Geórgia) também se interessam nas possíveis vias de transmissão do vírus nas populações homossexual e heterossexual.
Um outro estudo, feito por Greg Millett, dos CDC, levou à identificação de um grupo de homens negros pobres, que embora se definam como heterossexuais, mantêm relações sexuais freqüentes com outros homens. Segundo o especialista, este grupo pode contribuir para a transmissão da Aids da população negra homossexual para heterossexuais.
Outros trabalhos realizados no sistema carcerário mostraram que cerca de 70% das pessoas infectadas com o vírus passam pela prisão em algum momento de suas vidas, embora o estudo tenha questionado a idéia de que a transmissão da Aids ocorra, em grande parte, durante o período de encarceramento.
A população carcerária dos Estados Unidos é de dois milhões de pessoas e 10 milhões passam pelas prisões americanas a cada ano, numa população total de 292 milhões de habitantes.
Os estudos foram apresentados em San Francisco durante a 11ª Conferência Anual sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas, que se realizou de domingo a quarta-feira e contou com a participação de quatro mil especialistas.
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