PUNTA DEL ESTE, Uruguai, 4 dez (AFP) - Ser casada pode se um fator de risco para a mulher ser contaminada por Aids na África e na América Latina, motivo pelo qual os cientistas querem transferir para ela o poder de prevenção.
"As mulheres casadas não costumam pedir a seus maridos para usar preservativos por temor de que se irritem com elas por sua desconfiança", explicou à AFP o diretor do Centro do Programa de Pesquisas de Aids na África do Sul, Salim Abdool Karim, à margem do Congresso Mundial de Aids, que se realiza em Punta del Este (140 km ao leste de Montevidéu).
"Esse temor pode se tornar uma ameaça significativa para que as mulheres casadas peguem Aids dos maridos", continuou.
Diante desta situação, os especialistas tentam melhorar os germicidas e géis vaginais já existentes, que até agora não são tão eficazes quanto os preservativos.
Os germicidas servem para matar os vírus transmissíveis por via sexual - como o próprio HIV, o herpes ou a gonorréia -, bem como para evitar a gravidez ao exterminar os espermatozóides.
Karim disse que atualmente quatro géis vaginais estão sendo estudados. Estas pesquisas, duas delas realizadas pelo especialista sul-africano, estão na última etapa.
"Na América Latina, um dos principais fatores de risco para que a mulher se contamine com Aids é ser casada e na África isso também acontece, inclusive em maior escala", explicou a médica uruguaia Hilda Abreu, organizadora do Congresso, que reúne 900 especialistas entre 2 e 5 de dezembro.
"Os preservativos, tanto masculinos quanto femininos precisam da aprovação do homem para ser usados durante as relações sexuais", continuou.
"Ao contrário, o homem não tem porque saber que a mulher usa germicida. Trata-se simplesmente de um gel para ser colocado na vagina e que passa totalmente despercebido", continuou.
A criação de microbicidas de alta eficácia é uma das principais linhas de pesquisa relacionadas com a prevenção da Aids, segundo a organizadora do Congresso.
Se forem lançados no mercado, as mulheres poderão se proteger da Aids com um produto igualmente eficaz que o preservativo e por um preço semelhante.
Além disso está sendo pesquisado, embora esteja numa etapa menos avançada, o uso de germicidas no ânus para a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis.
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