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ONU-saúde-Aids: Mundo tem 40 milhões de soropositivos, 2 milhões na América Latina e Caribe

Agence France-Presse - Novembro 25, 2003


PARIS, Nov 25 (AFP) - Mais de dois milhões de pessoas convivem atualmente com o HIV na América Latina e Caribe, incluídas as cerca de 200 mil que contraíram o vírus este ano, período no qual cem mil morreram de Aids, segundo números do informe 2003 da OnuAids sobre a situação da epidemia no mundo, publicado esta terça-feira.

O informe destacou que no Brasil vive "a grande maioria das pessoas" soropositivas da região, mas reconheceu os resultados positivos dos programas de prevenção e tratamento dos soropositivos no Brasil, lembrando que o país "não pode dormir sobre suas glórias", ao destacar, por exemplo, a alta taxa de predominância da doença entre as mulheres grávidas do Rio Grande do Sul.

No mundo, a epidemia da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida matou mais de três milhões de pessoas em 2003. Estima-se que cinco milhões tenham contraído o vírus HIV, o que eleva o número de soropositivos para 40 milhões de pessoas, um indício claro de que a epidemia está longe de ser controlada.

A África subsaariana continua sendo a região mais afetada pela epidemia, com 26,6 milhões de casos e 2,3 milhões de mortos.

América Latina e Caribe têm "o mais alto número de vítimas fatais em escala regional, depois da África subsaariana e da Ásia", destacou o informe.

Doze países da região do Caribe têm uma predominância nacional de HIV de pelo menos 1% e em seis deles a predominância entre as mulheres atinge ou supera os 2%. Entre estes estão a República Dominicana e o Haiti, países que têm "duas das epidemias mais graves da região".

Ao contrário, a maioria dos outros países da região apresenta "epidemias altamente concentradas", em particular o Brasil, onde vive a maioria dos soropositivos da região.

O informe destacou que há "modelos epidemiológicos característicos" na região, com uma coexistência dos principais fatores de transmissão (início precoce da vida sexual, relações promíscuas sem proteção, uso de seringas não esterilizadas), mas reforçou que "as relações sexuais entre homens são uma característica importante, não reconhecida em seu justo grau, da epidemia na América Latina".

A OnuAids alertou que "será impossível vencer a epidemia", enquanto os países não reconhecerem as "razões ocultas, embora alastradas" da mesma, ou seja, o consumo de drogas intravenosas e as relações homossexuais masculinas.

"Estigmatizar e negar estes comportamentos só pode avivar a propagação silenciosa da epidemia", insistiu.

Finalmente, a OnuAids destacou que muitos países latino-americanos "reforçaram recentemente as respostas à Aids, mas que existe a preocupação de que a instabilidade econômica e social que se observa em parte da região possa enfraquecer estes programas".

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