NOVA YORK, 30 out (AFP) - A ONU está dividida sobre uma questão metafísica: 'Deve ser permitida a clonagem de seres humanos?' Os defensores sustentam que esta prática ajudaria a combater doenças como a Aids, mas seus detratores afirmam que permitir a criação de réplicas de embriões constitui uma violação da ética e abre uma 'caixa de Pandora' imprevisível.
Ambas posições poderão ser confrontadas nos próximos dias se os partidários da "clonagem terapêutica" apresentarem seu projeto à Assembléia-Geral das Nações Unidas.
A Costa Rica, os Estados Unidos, as Filipinas e outros 50 países, apoiados pelo Vaticano, desejam um acordo internacional que proíba qualquer forma de clonagem humana a partir de 2004.
"A clonagem de seres humanos é moralmente repugnante, antiética, contrária ao respeito à pessoa e constitui uma grave violação dos direitos humanos", afirmam estes países.
Entre os defensores da clonagem humana estão a Bélgica, a Grã-Bretanha, a China, e uma minoria de países que acreditam que "uma clonagem controlada abre perspectivas para melhorar a saúde das pessoas".
Estas nações afirmam que sua proposta respeita a vida humana e permite a cada país determinar sua própria política, definindo seus próprios limites.
"Nossa proposta respeita os países opositores, permitindo que outros continuem com uma posição estritamente regulamentada", declarou à AFP um diplomata da ONU que apóia a proposta belga.
No entanto, os países que defendem uma proibição total afirmam que as limitações incluídas na proposta belga não são bastante fortes, e que permitir que a sociedade crie seres humanos a seu critério abre uma 'caixa de Pandora' de conseqüências imprevisíveis.
"Não é somente uma questão moral. Também existem aspectos sociais e econômicos. Onde seriam conseguidos os embriões clonados? Não seriam procedentes dos países pobres e marginalizados?", perguntou um diplomata filipino.
O diplomata partidário da clonagem rebateu o argumento filipino. "Em última instância, a medida favorecerá os países pobres, se por exemplo contribuir a desenvolver tratamentos contra o HIV e a Aids, que afetam justamente mais estes paíse", alegou.
Ao contrário das resoluções do Conselho de Segurança, as da Assembléia-Geral não são obrigatórias, mas indicam a tendência da opinião mundial, e estabelecem um precedente para futuros debates.
Uma decisão é esperada no máximo na próxima semana sobre se os partidários da proposta costariquenha (anticlonagem humana) pedem uma votação da Assembléia ou abandonam temporariamente a iniciativa, afirmaram diplomatas.
Funcionários americanos já frisaram que não há qualquer possibilidade de negociar. "Em diplomacia nunca é bom dizer que não existe margem para conversar, mas este caso é do tipo 'branco ou preto'", enfatizou um deles.
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