GENEBRA, 21 out (AFP) - Doadores, agências de ajuda da ONU e grupos de defesa concordaram esta terça-feira em unir esforços para ajudar o crescente número de crianças - a maioria vivendo na África subsaariana - órfãs por causa da Aids.
Eles decidiram aumentar o apoio familiar e escolar a pelo menos 14 milhões de crianças que ficaram sem pais por causa da Aids, informaram o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e a OnuAids em uma declaração conjunta.
"O número de órfãos por causa da Aids deve chegar a pelo menos 25 milhões em 2010", disse Peter Piot, chefe da OnuAids, a participantes de um encontro de dois dias, que se encerrará esta terça-feira, em Genebra.
Segundo a declaração, até 2001, 14 milhões de jovens perderam um ou os dois pais para a doença, com cerca de 80% dos casos ocorrendo na África subsaariana.
"A crise dos órfãos e de outras crianças que se tornaram vulneráveis por causa da HIV/Aids é maciça, crescente e de longo prazo", alertou a diretora-executiva da Unicef, Carol Bellamy.
"Dois terços dos países duramente atingidos pela doença não têm estratégias para garantir que as crianças afetadas cresçam com o mínimo de proteção e cuidado", continuou.
Cerca de 80 organizações discutiram uma estimativa da OnuAids de que seria necessário um bilhão de dólares para implementar o cuidado com os órfãos da Aids.
De acordo com a Unicef e a OnuAids, mais de 29 milhões de pessoas na África subsaariana viviam com a doença no final de 2002.
Cerca de um terço destas têm idades entre 15 e 25 anos, enquanto quase três milhões têm menos de 15 anos.
"Nenhuma outra região foi atingida tão duramente pela HIV/Aids do que a África subsaariana, lar de cerca de três quartos da população mundial que vive com HIV/Aids", continuou a declaração, que destacou que no ano passado pelo menos dois milhões de pessoas morreram na região vítimas da doença.
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