CIDADE DO VATICANO, 13 out (AFP) - O cardeal colombiano Alfonso López Trujillo propôs esta segunda-feira o lançamento de uma campanha mundial sobre a suposta ineficácia dos preservativos na proteção contra a Aids, em uma entrevista por escrito à AFP, na qual reage a uma polêmica provocada por um programa da televisão britânica BBC, intitulado "O sexo e a Santa Sé".
O cardeal, presidente do conselho para a família, o "ministério" do Vaticano encarregado dos assuntos relacionados com a moral social, sugere "que os ministros da saúde de todo o mundo exijam que as embalagens de preservativos incluam uma advertência específica que diga que o preservativo não é seguro, como se faz com os cigarros assinalando que o filtro não garante nenhuma proteção".
"Dizer que o preservativo é seguro é como jogar roleta russa", afirmou o cardeal colombiano, que respondeu por escrito e em inglês a um questionário da AFP.
Ao ser indagado sobre a polêmica criada por suas declarações, segundo as quais "a Igreja desaconselha aos soropositivos o uso de preservativos", ele assinalou que tinha dado "uma entrevista de uma hora à BBC sobre diversos temas relacionados com a família e uma das perguntas tratava do 'sexo seguro'".
"Afirmei nessa ocasião que ninguém pode falar de sexo seguro e fazer crer às pessoas que o uso de preservativo é a solução para evitar o perigo da aids, e que isso permitirá superar esta pandemia", explicou.
"Minha intenção era não enganar as pessoas, especialmente os jovens, fazendo-os crer que estão protegidos, quando na realidade não se demonstrou essa segurança", acrescentou.
"Quis lembrar ao público, como asseguram numerosos especialistas, que quando o preservativo é usado como método anticoncepcional não se pode confiar totalmente nele, e não são raros os casos de gravidez", comentou.
"No caso do vírus da aids, que é 450 vezes menor do que os espermatozóides, os preservativos fabricados com látex são ainda menos seguros. Alguns estudos demonstraram que são permeáveis em 15% e até em 20% dos casos", assinalou.
López Trujillo, defensor da "abstinência antes do matrimônio" e da "fidelidade" conjugal como fórmula para evitar o contágio, citou vários estudos, entre eles um do Centre for Disease Control (CDC) dos Estados Unidos.
Por sua vez, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reagiu dizendo que a posição de López Trujillo não só é incorreta mas também "perigosa".
Porta-vozes da OMS consideram que é preciso melhorar a formação dos jovens e dos grupos de risco recomendando-lhes a utilização do preservativo.
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