PARIS, 8 out (AFP) - O Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA, sigla em inglês) considera "urgente" investir no futuro da maior geração de adolescentes da história (1,2 bilhão) para evitar riscos como a Aids ou a pobreza, destacou um informe apresentado nesta quarta-feira em Paris.
"De todos os habitantes do mundo, quase a metade tem menos de 25 anos e 20% são constituídos de adolescentes entre 10 e 19 anos de idade", lembrou o UNFPA em seu informe de 2003 sobre a população mundial.
"É a maior geração de jovens que já existiu no mundo", destacou o documento, que também informou que "87% dos adolescentes vivem em países em desenvolvimento".
"Seu nível educacional, seu estado de saúde, sua disposição para assumir papéis e responsabilidades de adultos (...) terão profundas conseqüências no futuro", continuou o UNFPA.
"De acordo com a estimativa, 238 milhões de jovens - quase um em cada grupo de quatro - enfrentam as limitações da extrema pobreza", explicaram os autores do estudo, segundo os quais entre 100 e 250 milhões de crianças vivem nas ruas, a metade na América Latina.
"Esta quantidade está aumentando rapidamente", alertaram.
Segundo o UNPFA, destes 238 milhões, "77% vivem em onze países de grande extensão", entre eles Índia e China, mas também Brasil e México.
"Mais de 13 milhões de menores de 15 anos perderam um ou os dois pais por causa da Aids", destacou o documento. Estes jovens, segundo o estudo, são vulneráveis frente ao vírus.
"Podem ser explorados sexualmente", advertiu o relatório, citando o exemplo da Nicarágua, onde 13% dos jovens com idades entre 10 e 14 anos "não vivem com seu pai ou sua mãe".
O documento destacou que "a cada 14 segundos, um jovem entra na fila das pessoas infectadas pelo HIV e os jovens (cada vez mais do sexo feminino) representam quase a metade dos novos casos de infecção por HIV em todo o mundo".
"Só um pequeno percentual dos jovens infectados sabem que estão com HIV (...). Lamentavelmente, nos países em desenvolvimento são poucas as pessoas que têm acesso a um medicamento anti-retroviral quando os testes de laboratório dão resultado positivo", condenou o UNPFA.
Ante à pandemia de Aids, os autores do informe consideraram "imprescindível oferecer informação apropriada à idade dos destinatários acerca da sexualidade e promover comportamentos responsáveis e de menos riscos, inclusive a abstinência (sexual)".
Os "riscos adicionais" para as mulheres são outra preocupação do informe. O UNFPA lembrou que "nos países em desenvolvimento, 82 milhões de meninas que hoje têm entre 10 e 17 anos já estarão casadas antes de competar 18 anos".
"A cada ano, 14 milhões de adolescentes e meninas entre 15 e 19 anos (tanto casadas quanto solteiras) dão à luz. Nesta faixa etária, as complicações da gravidez e do parto estão entre principais causas de morte, e um fator de grande importância é o aborto feito em más condições", destacou.
"É importante que os governos intensifiquem suas ações para atingir os objetivos internacionais de desenvolvimento e cumprir os compromissos assumidos com os jovens", garantiram os autores do estudo.
"Os investimentos em saúde e educação estão entre as despesas de maior eficácia para o desenvolvimento", continuaram.
"O benefício econômico de evitar uma única infecção por HIV é de 34.600 dólares em um país pobre, cuja renda per capita é de 1.000 dólares anuais", explicaram.
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