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Saúde-Aids-África: Corrupção e acesso a medicamentos são chave na luta contra a Aids

Agence France-Presse - Setembro 26, 2003
Richard Ingham

NAIRÓBI, 26 set (AFP) - O diretor-executivo da OnuAids, Peter Piot, disse nesta sexta-feira que a longa batalha contra a Aids passa por uma virada, mas que a chave para o futuro das doações está principalmente nas mãos dos países africanos.

No discurso de encerramento do 6º dia da Conferência Internacional sobre Aids e Doenças Sexualmente Transmissíveis na África (Icasa), Piot disse acreditar que a conferência ficará conhecida na história como o momento em que a epidemia começou a ser derrotada e o acesso ao tratamento passou a ser levado a sério.

Mas ele alertou que para os países doadores serem mais generosos eles precisarão ser convencidos de que seu dinheiro não é desperdiçado.

Piot disse ainda que os países africanos precisam garantir eqüidade para que as drogas anti-HIV sejam administradas a quem necessita.

É fundamental evitar "um processo darwiniano de sobrevivência dos afortunados" em que os militares ou homens com poder e dinheiro sejam favorecidos sobre as mulheres, as crianças e os pobres, alertou.

Segundo Piot, o gasto com o programa contra a Aids na África chegou a 950 milhões de dólares em 2002 e hoje as drogas antiretrovirais estão disponíveis a um custo mais baixo.

Ele afirmou, no entanto, que mais dinheiro é necessário. Este deve continuar vindo dos ricos países do ocidente, afirmou, mas também dos próprios países africanos, especialmente daqueles com acesso a "bilhões de petrodólares" e com grandes orçamentos militares.

Em clara referência à corrupção e ao desperdício endêmico na maior parte da África, Piot disse que os doadores somente entenderão "a imoralidade do subfinanciamento" quando os países do continente mostrarem que o dinheiro doado é bem gasto e que os programas realmente beneficiam os que precisam.

"Monitorar e avaliar o que estamos fazendo se torna mais crucial do que nunca", aconselhou.

As cerimônias de encerramento do fórum foram interrompidas por manifestantes pedindo um aumento de acesso a medicamentos.

O principal enfoque do fórum foi sobre como aumentar a distribuição dos antiretrovirais, os poderosos coquetéis de medicamentos que, para milhões de pessoas dos países ricos, tornou o HIV uma doença administrável, mas não curável.

Apenas 75 mil africanos têm acesso aos antiretrovirais, de acordo com os números divulgados nesta semana.

O objetivo é aumentar este número para mais de dois milhões até o fim de 2005, mas chegar a esta meta vai requerer um esforço sem precedentes na história médica, disseram especialistas, e grandes investimentos para o treinamento de médicos, enfermeiros e pessoal de apoio, para a construção de redes de distribuição e armazenamento e o estabelecimento de clínicas e laboratórios em áreas remotas onde pacientes podem ser tratados.

A Icasa é realizada a cada dois anos, em alternância com a Conferência Internacional sobre Aids. A reunião deste ano foi assistida por oito mil pessoas, de médicos e pesquisadores a oficiais do governo e membros de organizações não-governamentais (Ongs).

A 14ª conferência será realizada em Abuja, na Nigéria, em 2005.

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