NOVA YORK, 22 set (AFP) - A maioria dos Estados membros da ONU não estão concedendo recursos e esforços suficientes para alcançar as metas estabelecidas na luta contra a Aids. A advertência foi feita nesta segunda-feira pelo secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, durante um debate dedicado à questão na 58ª Assembléia Geral.
"Avançamos muito, mas não o suficiente", lamentou Annan.
As Nações Unidas calculam que os países em desenvolvimento e pobres, os mais afetados pela Aids, precisam de 10 bilhões de dólares em 2005 para combater a doença. A organização já concedeu 4,7 bilhões de dólares a essas nações em 2003, o que representa um aumento de 20% em relação a 2002, ainda muito aquém do necessário.
"Temos de nos esforçar mais para garantir que nosso compromisso de luta contra a Aids corresponda aos recursos e ações necessárias", acrescentou Annan.
"Não podemos argumentar que existem problemas mais urgentes (...) Temos que manter a Aids no topo da nossa agenda prática e política", afirmou o secretário-geral, referindo-se a uma doença que afeta cerca de 42 milhões de pessoas no mundo, sendo 29,4 na África subsaariana.
O presidente francês Jacques Chirac pediu à ONU que decrete "o estado de emrgência sanitária mundial" e que "a Assembléia Geral dedique uma sessão por ano à doença".
"Os informes de hoje (segunda-feira) constituem um apelo urgente de alerta ao mundo", explicou Peter Piot, diretor da ONUAIDS, órgão encarregado da luta contra a Aids, que apresentou o levantamento de dois anos da aplicação da "Declaração de Compromisso sobre a Aids", durante entrevista coletiva à imprensa em Nova York.
"Apesar de alguns avanços concretos, o ritmo mundial da resposta à Aids continua sendo totalmente insuficiente", lamentou Piot.
O objetivo estabelecido pelos países membros durante o período extraordinário da Assembléia Geral de 2001 era conseguir reduzir o número de pessoas afetadas pela epidemia até 2015.
A primeira etapa, que devia ser cumprida até 2005, planejava uma redução de um quarto dos jovens infectados, e da metade das crianças portadoras do vírus.
"Se quisermos ter alguma possibilidade realista de inverter o curso desta epidemia devastadora, temos de cumprir as metas estabelecidas há dois anos pelos próprios Estados membros", explicou Peter Piot.
Para alcançar tais metas, o gasto previsto para 2005 deveria ser multiplicado por dois, e o de 2007 por três, segundo Piot.
Dois anos depois do período extraordinário de reuniões sobre a Aids, a ONU lamentou que a cobertura da terapia anti-retroviral nos países de baixos e médios recursos permanecia muito reduzida.
Em 2002, só 300.000 pessoas, entre os cinco a seis milhões que precisavam dela, tiveram acesso a esta terapia.
A ONU lamentou a falta de estratégias nacionais para lutar contra a discriminação das pessoas afetadas pela epidemia, e para atender às necessidades dos órfãos.
O informe lembra que 38% dos países não adotaram leis para prevenir a discriminação.
Segundo dados das Nações Unidas, mais de 14 milhões de crianças de menos de 15 anos em todo o mundo perderam um, ou os dois pais, por culpa da Aids, e prevê-se que este número chegará a 25 milhões em 2010.
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