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Holanda-saúde-droga: Em iniciativa inédita, Holanda põe maconha à venda nas farmácias

Agence France-Presse - Setembro 1, 2003


HAIA, 1º set (AFP) - Os holandeses vítimas de doenças graves ou incuráveis poderão, a partir de hoje, comprar maconha na farmácia com a apresentação da receita médica para aliviar os sintomas de seus males, informaram fontes oficiais. A iniciativa é inédita no mundo.

Subordinado ao Ministério da Saúde holandês, o Departamento para o Uso Médico da Cannabis iniciou nesta segunda-feira a distribuição da planta a farmacêuticos, que seriam os primeiros do mundo a vendê-la legalmente.

"Não é para qualquer um. Os médicos só a prescreverão para pacientes para os quais nenhum medicamento foi eficaz", explicou à AFP Caroline de Roos, porta-voz da Associação Real de Farmacêuticos Holandeses.

Se a Holanda é o primeiro país a legalizar a venda em farmácias, o uso e cultivo da 'cannabis' com finalidades médicos é possível no Canadá, desde que com uma autorização oficial. Lá, o governo também cultiva a erva em minas abandonadas para pesquisa.

Na Holanda, a 'cannabis' para uso médico será destinada a pacientes que sofrem de esclerose múltipla em placas, doenças tratadas com quimioterapia, radioterapia ou coquetel anti-HIV, a pacientes que sofrem de distúrbios nervosos crônicos e a alguns doentes de câncer e Aids.

A droga será vendida em doses de cinco gramas em caixas preparadas pelo produtor ou pelo farmacêutico.

"O farmacêutico explicará como utilizá-la - de preferência por inalação ou infusão - e informará ao paciente sobre os efeitos colaterais e as contra-indicações em caso de uso de otros medicamentos", explicou De Roos.

O Departamento para o Uso Médico da Cannabis desaconselha o fumo da erva, que usada desta forma pode liberar por combustão certos produtos nocivos à saúde do paciente.

Segundo o Ministério da Saúde, a maconha diminuiria os sintomas de rigidez nos pacientes que sofrem de esclerose múltipla, teria impacto favorável na perda de apetite e aliviaria as dores em casos de doenças nervosas.

"Não existem provas científicas de que isto funcione. Mas um uso repetido mostra que este efeito existe", disse um porta-voz do Ministério.

O uso da 'cannabis' também tem "efeitos negativos", reconheceu de Roos, sem dar detalhes.

Na Holanda, a 'cannabis' e seus derivados já eram livremente vendidos nas centenas de "coffee-shops", estabelecimentos abertos para maiores de 18 anos espalhados pelas grandes cidades holandesas.

Mas a erva para uso médico será vendida com preço mais caro do que nos "coffee-shops".

Os cinco gramas que custam entre 25 e 30 euros (de 27,5 a 33 dólares) nos "coffee-shops", custarão de 40 a 55 euros (entre 44 e 60,5 dólares) nas farmácias. A diferença de preços é determinada pelo conteúdo de THC (substância ativa da cannabis) no produto vendido.

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