JOHANNESBURGO, 10 ago (AFP) - O plano contra a Aids anunciado pelo governo sul-africano foi elogiado durante o final de semana por toda a população, mas o ministério da Saúde pôs em destaque uma série de dificuldades para aplicá-lo, num país em que quase mil pessoas são vítimas diariamente dessa pandemia.
Entre as dificuldades está a conformidade do plano com a Constituição. O dominical Sunday Independant, lembrou que o plano deve, de acordo com a Carta Magna do país, "tornar o tratamento acessível a todas as camadas da população".
Os especialistas em Aids lembram que o tratamento deve estar disponível nas zonas rurais, que registram mais casos mas que carecem das infra-estruturas necessárias, ao contrário das zonas urbanas.
"Se os recursos necessários forem utilizados pelos hospitais das cidades já bem equipados, se salvarão mais vidas mas os doentes das zonas rurais serão ignorados o que se trata de uma escolha cruel", comentou Swazi Hlubi, diretor do Network of AIDS Communities.
Bantu Holomisa, importante líder da oposição, que foi membro do Congresso Nacional Africano (CNA), ligado a Nelson Mandela e presidente do Movimento Unido Democrático (UDM), disse domingo, em entrevista ao jornal da Cidade do Cabo, Cabo City Press que "apesar do compromisso do governo", duvidava que "fosse capaz de pôr em prática o dispositivo necessário no final de setembro e até em outubro".
Holomisa exigiu domingo a renúncia da ministra da Saúde, a quem acusa de ter perdido tempo em colocar em prática uma política antiaids. Exigiu, além disso, tanto do presidente Thabo Mbeki como de Manto Tshabalala-Msimang que "peçam desculpas à nação por terem prestado informações errôneas".
A ministra Tshabalala-Msimang, de formação médica, negou-se durante anos a admitir a eficácia dos anti-retrovirais, chegando a dizer que eram "veneno". Recomendou aos doentes um chá à base de alho, cebola e azeite de oliva para lutar contra a Aids.
O próprio presidente duvidou publicamente da relação causa-efeito entre o vírus HIV e a Aids, considerando que um "vírus não pode provocar uma síndrome" e que a Aids poderia ter outras origens.
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