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ONU-Índia-Aids: Índia tem de "agir agora" para evitar o desastre (chefe da OnuAids)

Agence France-Presse - Julho 24, 2003
Brigitte Castelnau

PARIS, 24 jul (AFP) - A Índia tem de "agir agora" contra a Aids se não quiser que se cumpram as previsões mais pessimistas de 25 milhões de pessoas infectadas até 2010, advertiu o diretor executivo da OnuAids, Peter Piot, em uma entrevista à AFP.

O chefe da OnuAids, programa conjunto da ONU para o HIV/Aids, pediu às autoridades políticas da Índia, um país cuja população supera 1 bilhão de habitantes, para abrir uma frente de luta, às vésperas da Convenção Nacional dos Parlamentares Indianos que acontecerá em Nova Délhi nos próximos domingo e segunda-feira.

Sua mensagem também está dirigida às empresas do setor privado, pois Peter Piot se encontrará no próximo dia 30 e aos quais pedirá maior prevenção e que não abandonem os enfermos.

"É preciso agir já, antes que a epidemia afete dezenas de milhões de indianos, algo que pode ocorrer se a situação continuar como está", declarou Piot.

De seu ponto de vista, a Convenção Nacional, a primeira dedicada à Aids, é "um acontecimento histórico". Nela participarão ministros de Estados que têm muitas vezes mais de 100 milhões de habitantes, prefeitos, parlamentares e opositores, como Sonia Gndhi.

"A Índia tem atualmente mais de quatro milhões de pessoas infectadas, provavelmente mais que a África do Sul", país considerado nos últimos anos como o mais afetado, explicou.

Piot fez um apelo aos dirigentes políticos para que "aprovem as leis para lutar contra a estigmatização das pessoas enfermas e os orçamentos para desenvolver a prevenção e os tratamentos". Em outras palavras, que "cada um dê prioridade à Aids em sua circunscrição. Que falem da Aids, que quebrem o silêncio!", exclamou.

"No Estado de Bombaim, entre 3 e 5% das mulheres grávidas estão infectadas. É demais!", declarou Piot.

Nesse Estado, entretanto, a utilização do preservativo aumentou graças a importantes esforços de prevenção. São utilizados por 66% das prostitutas, 77% de seus clientes, assim como por 52% dos que usam drogas injetáveis.

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