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Aids agrava fome na África e se espalha rapidamente em outras regiões

Agence France-Presse - Novembro 26, 2002
Brigitte Castelnau

PARIS, 26 nov (AFP) - A Aids continua se espalhando rapidamente em novas regiões do mundo e agravando a fome na África, mas os órgãos que combatem a doença estão recebendo poucas contribuições, denuncia a ONUAids, programa das Nações Unidas para o combate à doença, em seu informe anual publicado esta terça-feira. No próximo dia 1o. de dezembro será o Dia Mundial contra a Aids.

Para combater seriamente a epidemia nos países mais afetados seriam necessários 10 bilhões de dólares anuais durante dez anos, segundo Peter Piot, diretor-executivo da organização. Cifra que a partir de 2007 aumentaria para 15 bilhões de dólares anuais e permaneceria assim durante pelo menos dez anos, acrescenta a ONUAIDS, segundo a qual os recursos estão muito longe dessas cifras.

Em 2002, a Aids causou a morte de 3,1 milhões de pessoas e 5 milhões contraíram o vírus HIV, o que eleva para 42 milhões o número de pessoas que vivem com a doença. Todos os dias surgem 14 mil casos novos, principalmente (mais de 95%) nos países em desenvolvimento.

A África subsaharina continua sendo a região do mundo mais afetada - 3,5 milhões de novos casos em 2002 e 2,4 milhões de mortos -, e somente uma porcentagem mínima dos africanos recebe tratamento adequado.

"A epidemia está contribuindo para agravar a fome, cada vez mais fatal na África", onde "14 milhões de pessoas correm risco de inanição em Lesotho, Malawi, Moçambique, Suazilândia, Zâmbia e Zimbábue", alerta o informe. Isso porque sete milhões de agricultores de 25 países africanos morreram desde 1985.

Na Ásia, 7,2 milhões de pessoas vivem hoje com o HIV e esse número pode aumentar para 18 milhões em 2007, a não ser que se adote medidas eficazes de prevenção e tratamento, acrescenta a organização.

Pela primeira vez na história da epidemia, este ano as mulheres representam 50% dos soropositivos (58 % na África). A Europa Central e as repúblicas da Ásia Central registram o crescimento mais rápido da epidemia. As boas notícias são poucas, mas existem. Países pobres como Uganda e Camboja estão conseguindo controlar a epidemia.

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