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O elemento positivo é Prev: Aids na América Latina: 100 mil mortos em 2002

Agence France-Presse - Novembro 26, 2002
Maria Carmona

PARIS, 26 nov (AFP) - Os progressos do Brasil no tratamento dos portadores do HIV foram significativos em 2002, mas ainda não são expressivos quando comparados aos números da doença na América Latina e no Caribe: 100 mil pessoas morreram de Aids este ano e 1,9 milhão vivem com o vírus, sendo que 210 mil contaminadas apenas nos últimos doze meses. Este é o panorama traçado pelo informe anual da ONUAIDS, programa das Nações Unidas para o combate à doença, publicado esta terça-feira.

Em doze países da região (incluindo a República Dominicana, Haiti e vários países da América Central, como Belize e Honduras), um por cento das grávidas é portador do HIV.

"Em vários países caribenhos, as taxas de contágio chegam ao nível da África Subsahariana, o que torna a região a segunda mais atingida do mundo. Em alguns países é atualmente a principal causa de mortalidade", afirma a ONUAIDS. O informe do programa acrescenta que o Haiti é o país mais afetado, com uma taxa de contágio de 6% dos adultos.

O informe também fala de uma aproximação, na década passada, da relação entre homens e mulheres infectados pelo HIV e considera que esta "feminilização" da epidemia se deve, em parte, ao fato de que os homens que têm relações homossexuais também mantém relações sexuais com mulheres.

A respeito, a ONUAIDS aconselha que os esforços de prevenção se "adaptem a comportamentos bissexuais aparentemente generalizados, apesar de ocultos", mas sem descuidar dos programas de prevenção das relações homossexuais entre homens, pois as "práticas sexuais perigosas" entre estas pessoas em particular "são endêmicas em toda a região".

A ONUAIDS indica que, em termos de prevenção, o "Brasil oferece um exemplo especialmente positivo" com esforços dirigidos também a contra-atacar a "vulnerabilidade" e a "discriminação que sofrem os homens que mantêm relações sexuais com homens". O informe assinala outros exemplos de programas de prevenção na Jamaica e em Trinidad-Tobago, mas lamenta que algumas dessas iniciativas sejam "minadas por leis discriminatórias contra a homossexualidade".

Em relação à propagação do HIV através de seringas compartilhadas, isso constitui uma preocupação crescente em vários países, entre eles Argentina, Brasil, Chile, Paraguai, Uruguai, México e Porto Rico.

"O consumo de drogas intravenosas é responsável por 40% das novas infecções comunicadas na Argentina e de 28% no Uruguai", precisa o informe, enfatizando uma vez mais a importância da prevenção na limitação do contágio.

Por outra parte, a ONUAIDS assinala "uma dimensão até agora oculta da epidemia: a infecção pelo HIV na população carcerária", e insiste na necessidade de pesquisas e programas sistemáticos que permitam proteger os presos e seus companheiros.

A agência considera que "um dos fatores que favorecem a propagação do HIV na região é uma combinação de desenvolvimento sócio-econômico desigual e alta mobilidade da população" e que "as dificuldades econômicas que estão assolando vários países da região contribuirão provavelmente para consolidar um contexto sócio-econômico que favoreça a propagação da epidemia".

O elemento positivo é que o informe assinala que, apesar dessas dificuldades, "é mais evidente do que nunca a determinação dos países em frear a epidemia e limitar seu impacto, como demonstram seus esforços para proporcionar remédios anti-retrovirais para as pessoas com o vírus".

A ONUAIDS estima que, no final de 2001, recebiam esse tratamento na região cerca de 170.000 pessoas, "a maioria delas no Brasil". "Países como Argentina, Costa Rica, Cuba e Uruguai asseguram atualmente acesso gratuito e universal a estes medicamentos através do setor público", indica o informe, que lamenta, no entanto, que tal acesso continue sendo desigual na região por causa, principalmente, da "ampla variação" do preço dos remédios.

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