ESTOCOLMO, 7 Out (AFP) - O prêmio Nobel de Medicina de 2002 foi atribuído esta segunda-feira ao americano H. Robert Horvitz e aos britânicos Sydney Brenner e John E. Sulston. Eles fizeram descobertas sobre os genes a partir do estudo da vida e morte das células de um verme e esse estudo permitiu compreender melhor as orígens das doenças ligadas à degeneração das células, como o câncer ou a Aids.
Os três premiados permitiram identificar os genes que intervêm na regulação da "morte programada" das células, ou seja, o processo que permite manter um número apropriado de células nos tecidos, para o qual algumas delas recebem a ordem de morrer em vez de continuar se multiplicando.
Segundo o Instituto Karolinska de Estocolmo, que concede o prêmio, esta descoberta permitiu a melhor compreensão de certas doenças em que esse equilíbrio entre células vivas e mortas se rompe, como a Aids ou o infarto do miocárdio, nas quais há um excesso muito importante de células perdidas em razão de uma "morte programada", ou os cânceres, nos quais, ao contrário, as células continuam vivas e um número excessivo de células que deveriam ter morrido continuam a se reproduzir.
O mais idoso dos premiados, Sydney Brenner, de 75 anos, transformou um verme de um milímetro de largura, o nematodo Caenorhabditis elegans, em um "novo organismo modelo" para a pesquisa. Ele é complexo o suficiente para a pesquisa, por possuir órgãos bem diferenciados e apresentar células o bastante para ser estudadas - 959 num adulto normalmente formado -, e ao mesmo tempo, mais simples que um mamífero.
Transparente, o verme serve particularmente bem ao estudo em microscópio e, desde sua chegada aos laboratórios em 1965 tornou-se um dos seres mais estudados do mundo.
Suston, que começou a trabalhar com Brenner em Cambridge (Grã-Bretanha) em 1969, dedicou-se a estudar o mapa genético do pequeno verme, que foi publicado em 1990. Oito anos mais tarde, sua equipe concluiu a sequenciação do parasita, a primeira realizada em um animal.
Sulston, de 60 anos, é conhecido por sua luta em favor de que o código genético seja considerado de domínio público, e contra sua apropriação pelos interesses privados por meio do registro de patentes.
Robert Horvitz, de 55 anos, trabalha no departamento de Biologia do Massachusetts Institute of Technology (MIT), na outra Universidade de Cambridge, a dos Estados Unidos. Ele descobriu e caracterizou os genes-chave que controlam a "morte programada" das células do Caenorhabditis elegans, espécie na qual 131 das 1.090 células formadas durante o crescimento são eliminadas mediante esse processo, para chegar às 959 células do adulto normal.
O americano também estudou a forma como os genes interagem no processo de morte celular e demonstrou a existência de genes análogos no homem.
Os três premiados irão dividir os dez milhões de coroas suecas (pouco mais de um milhão de dólares) do prêmio Nobel e receberão as insígnias do prêmio em Estocolmo no dia 10 de dezembro, das mãos do rei Carl Gustaf da Suécia.
Em 2001, o Nobel de Medicina também foi dividido por um americano, Leland H. Hartwell, e dois britânicos, R. Timothy (Tim) Hunt e Paul M. Nurse, por suas descobertas sobre o ciclo celular, que também tiveram aplicações diretas na luta contra o câncer.
021007
AF021026_PT
© Agence France-Presse 2002. Todos o direitos são de propriedade exclusiva da AFP. Os artigos e fotografias não podem ser publicados, transmitidos, reescritos para transmissão ou publicação, ou redistribuidos direta ou indiretamente por nenhum outro órgão de comunicação sem a autorização prévia por escrito da AFP. O material informativo da AFP não pode ser arquivado total ou parcialmente em um computador, salvo para uso pessoal (e não comercial). A AFP não será responsável por nenhum atraso, imprecisão, erros ou omissões em nenhum de seus materiais informativos ou na transmissão ou entrega em sua totalidade ou em parte, ou por qualquer dano em geral. Como se trata de um serviço de notícias, a AFP não tem autorizações particulares das pessoas, grupos ou entidades tratados em suas fotografias ou gráficos citados em seus textos. Tampouco tem autorização dos proprietários de qualquer marca registrada ou matérias com direito de autor incluídos nas fotografias ou materiais de AFP. Em consequência, o usuário será o único responsável pela obtenção de qualquer autorização por parte de qualquer indivíduo ou entidade para uso dos artigos, fotos ou gráficos da AFP. http://www.afp.com/
AEGiS is made possible through unrestricted grants from Boehringer Ingelheim, the National Library of Medicine, and donations from users like you. Always watch for outdated information. This article first appeared in 2002. This material is designed to support, not replace, the relationship that exists between you and your doctor.
©1990, 2002 - AEGiS. AEGiS presents published material, reprinted with permission and neither endorses nor opposes any material. All materials appearing on AEGiS are protected by copyright as a collective work or compilation under U.S. copyright and other laws and are the property of AEGiS, or the party credited as the provider of the content.