LISBOA, 19 ago (AFP) - As infecções por uma variante rara do vírus HIV mais resistente aos tratamentos e que até agora se limitava praticamente ao continente africano tiveram um aumento alarmante em Portugal, segundo um novo estudo.
Os exames de sangue efetuados pelo laboratório de um hospital de Lisboa nos 63 novos portadores do vírus HIV detectados demonstraram que 54% estavam infectados por um subtipo do vírus, denominado G, informou esta segunda-feira o jornal Público.
Somente 23% dos exames de sangue realizados correspondiam à variante "B", a mais comum nos países do Oeste europeu.
Segundo o estudo, 62% das 70 mulheres grávidas infectadas pelo vírus da Aids no Sul de Portugal em 2001 eram portadoras da variante "G" do vírus.
Essa variante resiste aos tratamentos com os medicamentos mais potentes utilizados para lutar contra a Aids e tem a reputação de propagar-se mais facilmente por via sexual.
"Se, como temo, se transmite mais facilmente do que a variante 'B', será preciso reconsiderar toda a estratégia de luta contra a Aids e as estimativas do número de infecções terão de ser revisadas para cima", assinalou ao jornal o pesquisador responsável pelo estudo, Ricardo Camacho.
Portugal tem a maior taxa de infecção pelo vírus HIV da União Européia. Em 2000, foram registrados 104,2 casos de infecção por milhão nesse país, contra uma média de 25 por milhão na União Européia.
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