PARIS, 15 jul (AFP) - Um gene humano que representa um novo tipo de resistência ao vírus da Aids (HIV) foi descoberto por uma equipe anglo-americana de cientistas, cujo trabalhos foram publicados no site da revista britânica Nature.
Esta descoberta "pode abrir caminho para a preparação de novos tratamentos contra a Aids", afirmam os cientistas.
O gene, denominado CEM15, dá uma resistência natural ao vírus, mas é normalmente neutralizado por uma pequena proteína do HIV, chamada Vif (virion infectivity facteur).
O papel essencial desempenhado por este fator infeccioso Vif na multiplicação do HIV já era conhecido pelos cientistas, que ainda precisavam de mais pesquisas para aprofundar os conhecimentos a respeito.
O professor Michael Malim, do Kings College de Londres, e a equipe da doutora Ann Sheehy, da Universidade da Pensilvânia, na Filadélfia, estudaram células infectadas por uma forma defeituosa --por estar desprovida de Vif-- do HIV. Os cientistas comprovaram que o gene CEM15, interfere no ciclo de reprodução do HIV, tornando as novas partículas viróticas não infecciosas, e portanto inofensivas.
"Esses resultados são muito importantes e podem abrir caminho para novos tratamentos no futuro", segundo o professor Malim.
Trabalhos anteriores demonstravam o papel decisivo da proteína Vif na infecção e a neutralização das defesas das células ainda sadias.
"Nossas pesquisas identificaram o CEM15 como um elemento-chave deste sistema. Se encontrarmos um meio para bloquear a ação do Vif, ele deixaria o gene CEM15 trabalhar corretamente para impedir a difusão do HIV", explica Malim.
Os medicamentos anti-retrovirais lançados até agora atuam bloqueando enzimas que possibilitam a reprodução do vírus no organismo. São capazes de reduzir o vírus no sangue a um nível quase impossível de ser detectado, mas não o elimina completamente.
Além disso, estes tratamentos administrados com coquetéis produzem a longo prazo efeitos secundários (riscos de problemas cardíacos) e o vírus pode se tornar resistente à sua eficácia terapêutica. Por isso, é preciso buscar novos enfoques terapêuticos.
"Os tratamentos baseados em outra proteína-chave do vírus, a proteína Env, que permite o HIV penetrar nas células e infectá-las, estão sendo provados com certo sucesso em ensaios clínicos". Assim, sabemos que existe um "potencial" nas pesquisas sobre o Vif para encontrar um novo meio de combater o vírus, considera o professor Malim.
"É um projeto muito ambicioso, mas podemos esperar que o Vif seja desenvolvido como um novo alvo terapêutico nos dez próximos anos", afirma.
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