BARCELONA, Espanha, 10 jul (AFP) - Para serem eficazes em sua luta contra a AIDS, os países deveriam abster-se o mais rápido possível de utilizar o direito penal para castigar os comportamentos que podem acarretar um risco de transmissão do HIV, advertiu um novo informe da ONUAIDS difundido esta quarta-feira.
A ONUAIDS "pede aos que tomam as decisões que considerem o impacto negativo da criminalização sobre a luta contra o HIV/AIDS", em seu informe intitulado "Direito penal, saúde pública e transmissão do HIV" divulgado na XIV Conferência Internacional da AIDS, realizada em Barcelona.
Desta manera, declarar que certos comportamentos constituem um delito "pode reforçar as idéias preconcebidas de que as pessoas que vivem com HIV/AIDS seriam criminosos potenciais e uma ameaça para o interesse público", segundo a ONUAIDS.
Pioir ainda, a criminalização do comportamento das pessoas que vivem com o HIV/AIDS pode "dissuadi-las" de fazer um teste sangüíneio, complicando assim os esforços de prevenção e de tratamento.
Pode também "deteriorar a confiança" no sistema de saúde e nos conselheiros (como médicos) caso "as informações proporcionadas a estes últimos não forem protegidas das investigações e puderem ser consultadas ou usadas como peças de condenação em uma corte", enfatiza o informe.
Mais do que o direito penal, o informe sugere recorrer a um "direito sanitário corretamente formulado", que "permita alcançar os objetivos de saúde pública". O direito sanitário "mais flexível dá a possibilidade aos agentes da saúde de intevirem no domínio privado".
Permite levar em conta de maneira mais eficiente "os fatores que conduzem aos comportamentos de risco, como toxicomania, a falta de informação, a pobreza ou a violência".
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