BARCELONA, Espanha, 8 jul (AFP) - Pessimismo e poucos sinais de esperança marcaram esta segunda-feira, em Barcelona, o primeiro dia de trabalho da XIV Conferência Internacional sobre a Aids, o fórum realizado de dois em dois anos que tenta encontrar um paliativo para a doença e que, no entanto, tem recolhido dados cada vez mais desanimadores desde a descoberta do vírus do HIV há vinte anos.
Embora nesta primeira jornada de debate da Cúpula tenha sido apresentado um novo antivírus particularmente eficaz, dados divulgados na reunião dão mostras mais do que pessimistas sobre o futuro do vírus.
"Mesmo com antivírus muito eficazes, não poderíamos erradicar o vírus em menos de 73 anos", lamentou Robert Siciliano, um dos especialistas no assunto mais importantes, responsável dos Institutos Nacionais da Saúde norte-americanos.
"Nunca será possível erradicar o HIV com anti-retrovirais" e "encontrar outras vias para acabar com ele será super difícil", porque "o vírus será capaz de conservar em sua memória todos os erros de tratamentos cometidos no passado", sentenciou.
As palavras realistas do especialista ofuscaram o anúncio dos laboratórios norte-americano Trimeris e suíço Roche do lançamento de um novo remédio contra a Aids, o T20, que deve estar disponível na Europa e América do Norte no próximo mês.
Contrariamente a todos os remédios atualmente disponíveis, -que atua contra o vírus quando este já está presente nas células do sistema imunológico (CD4)- o T20 é o primeiro de uma nova linha de antivírus, os "inibidores da fusão", que impedem o vírus do HIV invadir as células do organismo.
Outra decepção foi o anúncio da empresa americana VaxGen que apresentou um projeto de vacina contra o HIV que poderá estar disponível em 2005, mas que não deu detalhes dos resultados obtidos.
"Esperamos ter excelentes notícias nos próximos meses e somos otimistas", afirmou o doutor Donald Francis, presidente e co-fundador da VaxGen.
Entre as notícias esperançosas, a Organização Mundial da Saúde (OMS) se comprometeu a dar tratamentos anti-retrovirais à metade dor portadores do vírus do HIV até 2005, segundo anunciou seu diretor do Departamento de VIH/Aids, Bernhard Schwartlaender.
Enquanto isso, os protestos e as polêmicas ganham dimensão. Um grupo de defensores dos portadores do vírus destruiu um stand dos laboratórios Roche pedindo, entre outras coisas, diminuição dos preços dos remédios.
A Associação de Pessoas que Vivem com o HIV/Aids na Ásia (PLWHA) denunciou que 15 anos depois da explosão da epidemia no continente, os soropositivos continuam sendo vítimas de exclusão e pediram aos Governos e às agências internacionais que lhes permitam uma maior participação nas políticas oficiais de luta contra Aids.
Entre tantas outras queixas, também foram ouvidas as dos países ricos. O secretário de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, Tommy Thomson, criticou os países ricos por sua escassa colaboração financeira na luta contra a Aids.
Os Estados Unidos deram 43% do total da ajuda contra a doença. Evitando citar Europa e Japão, Thomson assegurou que só os Estados Unidos cumpriram com seus compromissos aos dar 25% das ajudas que os países ricos se comprometeram a enviar ao Fundo Global para a luta contra a Aids.
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