BARCELONA, Espanha, 8 jul (AFP) - Um acordo que os países do Caribe estão prestes a assinar com laboratórios para reduzir o preço dos remédios de combate ao HIV pode se estender à África e à Ásia, anunciaram nesta segunda-feira participantes da XIV Conferência Internacional da Aids.
O acordo que governos de 15 países do Caribe, uma das áreas latino-americanas onde a epidemia está mais presente, vão assinar com seis empresas farmacêuticas durante a conferência deve garantir desconto de 70 a 90% nos remédios anti-retrovirais.
O Caribe, que tinha 420 mil pessoas com o vírus da Aids no final de 2001, é a segunda região mais afetada pela pandemia no mundo, depois da Africa subsaariana.
"O acordo que o Caribe está prestes a assinar abre caminho para que se possa conseguir o mesmo para outras regiões castigadas pela Aids, como a África subsaariana e Ásia, por exemplo", comentou César Portillo, porta-voz da Aids Healthcare Foundation, entidade que fornece atendimento médico a milhares de pacientes na Califórnia, Nova York e Flórida, "sem levar em conta seu tipo de seguro ou nível econômico".
Uma terapia intensiva anti-retroviral custava cerca de 10 mil dólares em 2000, por ano e por paciente, enquanto "algumas combinações de medicamentos pode custar entre 350 e 400 dólares. O governo da Tailândia disse que poderia produzir tratamentos por um ano, com a combinação de três drogas por 336 dólares", informou Portillo.
O acordo firmado pelos caribenhos é "uma vitória para nossa região", comemorou em Barcelona a representante da Guiana, a ministra da Saúde Leslie Ramsammy, uma das autoras do acordo regional.
As conquistas do acordo estão, principalmente, no fato das empresas farmacêuticas terem negociado com 15 países em conjunto e não individualmente, como acontecia até o momento, afirmaram as fontes.
Os laboratórios que aceitaram os descontos são os europeus Hoffmann-La Roche, GlaxoSmithKline, Boehringer Ingelheim e os americanos Merck&Co., Abbott e Bristol-Myers.
Um dos principais objetivos da OnuAids para conferência é que a indústria farmacêutica se comprometa a produzir medicamentos anti-retrovirais mais baratos para os países pobres, algo que foi conseguido por alguns países individualmente e se trata de uma grande conquista que pode reduzir a mortalidade.
Um dos co-presidentes da conferência, Jordi Casabona, mostrou-se confiante no dia da abertura em que este acordo vai "impulsionar" outro entre as Nações Unidas e os laboratórios para aplicar um desconto por regiões a todos os países pobres afetados pela pandemia.
Somente na África subsaariana há 28 milhões de aidéticos, sendo que apenas 30 mil têm acesso a tratamento. No mundo, dos 40 milhões de portadores do vírus, somente 730 mil se tratam, entre outras razões, pelo elevado custo dos medicamentos.
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