PARIS, 4 jul (AFP) - Excelente revelador dos comportamentos humanos, a AIDS evidencia, desde seu aparecimento há 20 anos, os tabus e preconceitos da sociedade, e um grande desconhecimento da doença continua prevalecendo, apesar dos esforços das associações dedicas à prevenção.
A prevenção será justamente um dos temas centrais da XIV Conferência Internacional sobre a AIDS, que será realizada de 7 a 12 de julho, em Barcelona (Espanha).
Em inúmeros países africanos, as relações de poder - na sociedade, mas também dentro da família - deixam desamparadas as mulheres que, na maioria dos casos, não estão em condições de impor a seus pares medidas de proteção para evitar o contágio da doença.
Como a pílula anticoncepcional em seu surgimento, o preservativo continua sendo acusado ainda, em muitas partes, de "aumentar a promiscuidade", um preconceito que explica em parte sua pouca utilização.
Segundo a ONUAIDS (o programa de luta contra a AIDS das Nações Unidas), "entre 6 bilhões e 9 bilhões de preservativos são vendidos ou distribuídos a cada ano", o que representa pouco mais de dois preservativos por ano e por pessoa de sexo masculino, contando as crianças e os idosos.
A soropositividade do HIV e da AIDS declarada são outros tantos motivos de recusa e ostracismo. E os países africanos ou asiáticos não são os únicos em que se registra esse comportamento. Na Europa e na América do NOrte, a condição de soropositidade de crianças provocou inúmeros rejeições na escolarização e, inclusive, negativa de atenção por parte de médicos.
Recentemente, um hotel alemão negou-se a receber um grupo de portadores de AIDS argumentando que sua presença "assustaria outros hóspedes".
Os sociólogos atribuem esses comportamentos à ignorância em relação à doença e assinalam o necessário esforço para fazer evoluir as mentalidades.
Mas, depois de vinte anos de epidemia, a tarefa continua sendo hercúlea: uma recente pesquisa realizada em 39 países da América Latina, Caribe e Ásia mostrou que a maioria dos homens que mudaram seu comportamento sexual para evitar a AIDS, "somente uma pequena porcentagem" utiliza presertivos.
Em relação às mulheres, geralmente mantidas à margem dos debates e das decisões, um terço delas não sabem como se proteger do vírus.
Segundo a ONUAIDS, para vencer a epidemia de AIDS, é necessário que que ocorram mudanças drásticos no comportamento sexual em alguns dos países menos desenvolvidos.
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