BARCELONA, Espanha, 5 jul (AFP) - Uma terapia múltipla que inclua um coquetel contra a Aids com dois inibidores de protease parece melhorar o estado dos pacientes que não se deram bem com uma terapia antiviral ativa, segundo um dos estudos publicados neste sábado na véspera da abertura da XIV Conferência Internacional sobre a doença.
Apresentado oficialmente em Barcelona pelo Journal of the American Medical Association (JAMA), o primeiro estudo mostra que a terapia através de dois medicamentos contribui para reduzir a carga viral em aproximadamente um terço dos pacientes.
Além disso, segundo as observações do professor Scott Hammer, do Columbia University College of Physicians and Surgeons de Nova York, principal autor do trabalho, os doentes que nunca estiveram expostos a outro tipo de medicamento (os inibidores da transcriptase inversa não nucleotídea) experimentam uma queda ainda mais acentuada do nível de vírus no sangue.
Em editorial que acompanha o trabalho do professor Hammer, três médicos da Universidade de Utah, Salt Lake City, consideram que essas observações poderiam ter "importantes conseqüências" para os pacientes dos países em desenvolvimento onde, segundo eles, esses tratamentos "de choque" estão cada vez mais disponíveis.
Segundo outro estudo publicado pelo JAMA, o contágio do vírus da hepatite C não parece fazer aumentar o risco de morte ou de que a doença se desenvolva em pessoas soropositivas. Tampouco parece reduzir a eficácia dos tratamentos antivirais.
O trabalho desenvolvido pelo profesor Mark Sulkowski, da Escola de Medicina da John Hopkins University de Baltimore, com 1.900 pacientes, parecem questionar o dogma vigente até agora.
Os especialistas em Aids pensavam que a infecção pelo vírus HIV aumentava a probabilidade de que o contágio do vírus da hepatite se tornasse crônico aumentando o risco de um ataque hepático.
Segundo os epidemiologistas, entre 15% e 30% dos portadores do vírus da Aids também são portadores do vírus da hepatite C (VHC). Em muitos casos, esse duplo contágio se produz pela troca de seringas entre viciados em drogas.
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