PARIS, 5 jul (AFP) - O número de macacos que podem infectar o homem na África com cepas do vírus da imunodeficiência é muito mais alto do que se acreditava, e o chimpanzé, "principal acusado" na pesquisa sobre a origem da enfermidade, foi talvez contaminado por outras espécies, estabelecem os cientistas, que apresentarão sua tese na Conferência Internacional sobre a AIDS, que se inicia no próximo domingo, em Barcelona.
A aparição da AIDS parece estar estreitamente ligada ao consumo de carnes de animais selvagens. Essa caça, que alimenta os mercados africanos, se converteu rapidamente em sinônimo de perigo sanitário em razão dos riscos de contaminação com cepas de vírus da imunodeficiência dos símios, entre outras doenças.
O vírus teria passado do macaco para o homem por transmissão sangüínea, através de uma mordedura sofrida por um caçador ou um corte ao despedaçar o animal. Uma vez no sangue no homem, teria se transformado no vírus da imunodeficiência humana (HIV).
O chimpanzé apresenta uma cepa de vírus (SIV-cpz) muito similar ao HIV-1 (o vírus humanos mais extendido), que foi detectado primeiramente nos chimpanzés cativos. Outro macaco, o mangabey hollinoso, foi identificado também como "responsável" pela segunda cepa do vírus humano (HIV-2), própria da África Ocidental.
Nem o chimpazé nem os outros macacos desenvolveram a enfermidade. Além disso, uma equipe de cientistas da Universidade do Alabama demonstrou recentemente que os chimpanzés salvagens são surpreendentemente pouco afetados pelo vírus. Como pôde então essa espécie provocar a pandemia?
Dentro do programa PRESICA (Prevenção da AIDS em Camarões), realizado pelo governo do país e o Instituto francês de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD), cientistas fizaram análises de sangue com uns 800 macacos, dos animais vendidos nos mercados para o consumo humano aos macacos criados como animais domésticos. Treze das 16 espécies envolvidas apresentaram taxas de soropositividade em torno de 20%.
O cercopiteco despertou particular interesse: "este pequeño macaco de nariz branco característico é, de fato, infectado por um vírus que apresenta semelhanças com o HIV-1 em uma parte do genoma", explica Eric Delaporte, um dos responsáveis PRESICA e co-autor do estudo que será apresentado em Barcelona.
Segundo o especialista, é possível que o chimpanzé, que constitui a reserva do vírus, tenha sido, por sua vez, contaminado a partir do sangue de outros macacos".
"Atualmente, não existe prova alguma da transmissão ao homem das cepas recentemente identificadas. Sabe-se, no entanto, que vários tipos de de SIV podem se desenvolver nos linfócitos humanos e que uma contaminação e, inclusive, o aparecimento de um HIV-3, são possíveis. Por isso é urgente organizar uma vigilância das cepas de macacos na África", acrescentou Delaporte.
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