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ONU-Aids-AmLat: América Latina e Caribe: 1,9 milhão de portadores do HIV

Agence France-Presse - Julho 2, 2002


PARIS, 2 jul (AFP) - Existe o perigo de que a epidemia de Aids, já bem instalada, "se propague de forma rápida e extensa na ausência de respostas eficazes" na América Latina e Caribe, onde cerca de dois milhões de pessoas vivem com o vírus HIV e 200.000 delas sofreram contágio em 2001, indica o informe ONUAIDS 2002, publicado esta terça-feira.

No final de 2001, aproximadamente 1,9 milhão de adultos e crianças viviam com a Aids na região, "1,5 milhão na América Latina e 420.000 no Caribe", indica o informe

"Os 100.000 falecimentos por Aids que ocorreram em 2001 aumentaram ainda mais o número de crianças órfãs por causa da epidemia. Na América Latina vivem cerca de 330.000 órfãos (130.000 deles no Brasil), e no Caribe 250.000 (200.000 deles no Haiti).

No final de 2001, cerca de 170.000 pessoas recebiam tratamento anti-retroviral na América Latina, 105.000 delas no Brasil, país que produz seus próprios medicamentos genéricos.

O Caribe é a segunda região mais afetada do mundo.

"Doze países desta região (incluídos a República Dominicana, Haiti e alguns países da América Central) têm uma média estimada do HIV igual ou superior a 1%. Nestas zonas, a epidemia está firmemente arraigada na população geral e se transmite principalmente através da relação heterossexual", indica o informe.

A Aids "é atualmente a principal causa da mortalidade em alguns países da bacia do Caribe, cujos índices médios em adultos só se comparam aos existentes na África Subsaariana", acrescenta, citando o Haiti, com um índice médio nos adultos superior a 6%, ou Bahamas, com um índice de cerca de 4%.

Na América Central, a epidemia se agrava e se concentra principalmente nos setores da população socialmente marginalizada.

No México, a média do HIV entre os adultos ainda é inferior a 1%, mas as taxas de infecção são muito mais altas em determinados grupos sociais (até 6% entre os consumidores de drogas intravenosas e 15% entre os homens que mantém relações homossexuais). Além disso, a epidemia se propaga essencialmente mediante estes dois últimos modos de transmissão.

A mobilidade da população, intensificada pelo desemprego e a pobreza, desempenha um papel importante na extensão da epidemia, assinal o informe, que cita o exemplo de México. "O começo da epidemia do HIV nas zonas rurais do México pode ser rastreado no retorno da mão-de-obra agrícola que havia trabalhado nos Estados Unidos", indica.

Os índices médios nacionais do VIH, relativamente baixos na maioria dos países da América do Sul e da América Central, não devem ocultar que que existe uma epidemia solidamente implantada em grupos específicos de população, como os toxicômanos e os homossexuais.

A toxicomania é um fator importante de transmissão na Argentina, Chile e Uruguai.

No Brasil, os programas de prevenção para usuários de drogas intravenosas permitiram uma redução da média neste setor da população em várias cidades. Além disso, "um estudo em escala nacional revelou o uso de preservativos entre usuários de drogas intravenosas havia aumentado 42% em 1999 e 65% em 2000, outro indício de que os esforços de informação e prevenção no Brasil está dando frutos", explica o informe.

Durante esse período, a média do VIH entre os toxicômanos passou dos 65% aos 42% em Santos, de 49% a 7 % em Salvador e de 25% à 8% no Rio de Janeiro.

Estima-se que, "ao reduzir a morbilidade relacionada com o HIV-AIDS, o programa de tratamento e assistência do Brasil evitou 234.000 hospitalizações durante o período 1996-2000", segundo a ONUAIDS.

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