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ONU-Aids: Epidemia de Aids "está apenas no começo"

Agence France-Presse - Julho 2, 2002
Brigitte Castelnau

PARIS, 2 jul (AFP) - A epidemia de Aids, que já matou em 20 anos mais de 20 milhões de pessoas no mundo inteiro, "está apenas no começo" e pode provocar a morte precoce de mais de 68 milhões até 2020, advertiu Peter Piot, diretor-executivo da ONUAids, programa das Nações Unidas dedicado à luta contra a doença.

"Mas a epidemia está apenas no começo. Sabíamos disso em relação à Ásia e à ex-União Soviética. Além disso, não há nenhum sinal de recuo nos países mais atingidos, isto quer dizer, os da África", declarou à AFP o médico Piot.

"Em países gravemente afetados, como Zimbábue, um terço dos adultos são soropositivos. Antes, era um quarto deles", acrescentou Piot, quando foi divulgado nesta terça-feira o informe sobre a epidemia do HIV-Aids 2002.

"A epidemia continua. Inclusive no Sul da África, onde é mais grave, não parece chegar a um limite máximo natural" e alcança níveis antes inimagináveis", explicou o alto funcionário.

"É assustador. É a maior epidemia que a humanidade já conheceu", acrescentou. "Nos 45 países mais afetados, se a resposta à Aids não for intensificada, 68 milhões vão morrer de Aids até 2020", disse.

"O Sul da África é a região que terá o maior número de baixas, 55 milhões", segundo a ONUAids. A Aids na Ásia, continente onde ficam os países mais povoados do mundo, Índia e China, é como uma bomba prestes a explodir. A ex-União Soviética se encontra de frente com uma epidemia galopante. Enquanto isso, os países ricos parecem ter baixado a guarda com a chegada da triterapia em 1996, que fez muita gente acreditar que a Aids tinha acabado", explica Piot.

Mais de 60 milhões de pessoas foram infectadas pelo HIV desde a descoberta da doença há vinte anos. A maioria dos 40 milhões delas que sobreviveram morreriam se não recebessem tratamento.

"Menos de 4,4% das pessoas contaminadas nos países em desenvolvimento têm acesso ao tratamento anti-retroviral" (ARV ou coquetel), segundo a ONUAids. "Apesar da baixa de cerca de 90% do preço do ARV, a grande maioria dos doentes não têm acesso

ao tratamento", lembrou o diretor da ONUAids, ressaltando que os preços devem cair".

"No final de 2001, 730 mil pessoas no mundo recebem um tratamento ARV, meio milhão delas em países ricos, nos quais menos de 25 mil pessoas morreram de Aids no ano passado". No África subsahariana, onde a Aids matou 2,2 milhões de pessoas, somente 30 mil tiveram acesso ao tratamento.

Na Ásia e Oceania, onde 435 mil pessoas morreram de Aids no ano passado, o número de pessoas que recebem tratamento também é mínimo. Para combater seriamente a epidemia nos países que mais precisam "seriam necessários 10 bilhões de dólares anuais apenas para a Aids e isso durante dez anos", afirmou Piot.

A epidemia continua se espalhando pelos cinco continentes. Os jovens estão particularmente expostos e 12 milhões deles contaminados. Aproximadamente metade das novas infecções adultas envolvem jovens entre 15 e 24 anos.

"Cada dia, seis mil jovens de menos de 24 anos e dois mil de 15 anos estão contaminados no mundo", segundo o médico Piot. Catorze milhões de crianças ficaram órfãos devido à Aids. Em 2001, a epidemia matou três milhões de pessoas, 2,2 milhões delas na África.

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