CHICAGO, EUA, 19 dez (AFP) - A resistência do vírus da Aids aos medicamentos empregados para o tratamento dos soropositivos aumentou muito, segundo trabalhos apresentados nesta semana em Chicago durante o maior congresso sobre agentes antimicrobianos do mundo.
Cerca de 80% dos soropositivos americanos são portadores de um vírus resistente a pelo menos um medicamento, enquanto que um quinto das pessoas recentemente contaminadas foram infectadas com um vírus já resistente, segundo cientistas.
Para o autor de um dos estudos sobre o assunto, Douglas Richman, "o resultado é grave e significativo". Demonstra que os médicos e pacientes devem "utilizar os medicamentos da maneira mais inteligente possível" para evitar o desenvolvimento dos vírus que resistem a tratamentos múltiplos.
Nos Estados Unidos, 210.000 pessoas são soropositivas, 130.000 das quais têm uma carga viral detectável, segundo Richman. Entre estas últimas, 78% desenvolveram uma resistência a um medicamento e 51% a várias drogas, segundo dados do estudo patrocinado pelo US Department of Veterans Affairs em San Diego, Califórnia.
De acordo com o texto, 20% das pessoas recentemente contaminadas o foram com um vírus resistente a um medicamento, "o que significa que fazemos um péssimo trabalho de prevenção e aconselhamento", destacou Daniel Kuritzkes, especialista em Aids da Universidade de Colorado em Denver, e responsável por um outro estudo.
Com efeito, na maior parte desses casos, o vírus é transmitido por uma pessoa que está fazendo tratamento e que desenvolveu uma resistência.
Outra lição destes estudos é a necessidade "de se fazer com mais freqüência os testes de resistência para cuidar dos pacientes que não respondem aos tratamentos", destacou Richman, para quem esses testes "ajudam a selecionar os medicamentos com mais possibilidades de funcionar".
Richman e sua equipe levaram adiante o estudo a partir de mostras sangüíneas de 1.647 soropositivos colhidas em 1999 em dez cidades dos Estados Unidos e Canadá.
Nesse universo, "78% apresentavam uma resistência a pelo menos um medicamento e 51% a mais de um medicamento", precisou Richman, que qualificou essa proporção de "surpreendente". Acrescentou que está convencido de que desde 1999 "a tendência se acentuou".
A resistência aos medicamentos é "mais elevada entre os homossexuais brancos com um nível de educação alto", do que entre as mulheres em geral e as pessoas de meios menos favorecidos, segundo o cientista, para quem esta disparidade pode ser observada no melhor acesso a diferentes medicamentos para as pessoas do primeiro grupo.
Outros estudos mostraram que o HIV era capaz de fazer mutações para resistir potencialmente a qualquer medicamento. Mas, segundo Samuel Bozette, colaborador de Richman, "a maior parte dos estudos precedentes eram relativamente mais limitados, tornando impossíveis as estimativas confiáveis".
Quatro famílias de medicamentos permitem atualmente lutar contra o HIV, sem conseguir destrui-lo.
Mas a capacidade do vírus de desenvolver uma resistência "é uma bomba-relógio", ante a qual os médicos devem submeter seus pacientes a testes de resistência, estimou Gilles Force, especialista em Aids do Hospital Notre Dame du Perpétuel Secours, de Levallois-Perret (França).
Nos Estados Unidos, "há cada vez mais possibilidades de que o teste de resistência se torne um procedimento padrão no tratamento" dos soropositivos, afirmou Kuritzkes.
011219
AF0112B8_PT
© Agence France-Presse 2000. Todos o direitos são de propriedade exclusiva da AFP. Os artigos e fotografias não podem ser publicados, transmitidos, reescritos para transmissão ou publicação, ou redistribuidos direta ou indiretamente por nenhum outro órgão de comunicação sem a autorização prévia por escrito da AFP. O material informativo da AFP não pode ser arquivado total ou parcialmente em um computador, salvo para uso pessoal (e não comercial). A AFP não será responsável por nenhum atraso, imprecisão, erros ou omissões em nenhum de seus materiais informativos ou na transmissão ou entrega em sua totalidade ou em parte, ou por qualquer dano em geral. Como se trata de um serviço de notícias, a AFP não tem autorizações particulares das pessoas, grupos ou entidades tratados em suas fotografias ou gráficos citados em seus textos. Tampouco tem autorização dos proprietários de qualquer marca registrada ou matérias com direito de autor incluídos nas fotografias ou materiais de AFP. Em consequência, o usuário será o único responsável pela obtenção de qualquer autorização por parte de qualquer indivíduo ou entidade para uso dos artigos, fotos ou gráficos da AFP. http://www.afp.com/
ÆGiS is made possible through unrestricted grants from Boehringer Ingelheim, the National Library of Medicine, and donations from users like you. Always watch for outdated information. This article first appeared in 2001. This material is designed to support, not replace, the relationship that exists between you and your doctor.
©1990, 2001 - ÆGiS. ÆGiS presents published material, reprinted with permission and neither endorses nor opposes any material. All materials appearing on ÆGIS are protected by copyright as a collective work or compilation under U.S. copyright and other laws and are the property of ÆGIS and the Sisters of Saint Elizabeth of Hungary, or the party credited as the provider of the content.