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África-Aids: Eficácia comprovada com anti-retrovirais na África, segundo informe francês

Agence France-Presse - Dezembro 11, 2001


UAGADUGU, 11 dez (AFP) - A Agência Nacional de Pesquisas sobre a Aids (ANRS) francesa apresentou esta terça-feira em Uagadugu, capital de Burkina Faso, os resultados de vários estudos que demonstram a "eficácia clínica" dos tratamentos anti-retrovirais na África.

A ANRS apresentou o resultado desses estudos, realizados na Costa do Marfim e Senegal, durante uma coletiva de imprensa por ocasião da XII Conferência Internacional sobre a Aids e as Doenças Sexualmente Transmissíveis na África (CISMA/ICASA), que se celebra em Uagadugu.

Na Costa do Marfim, 86 pessoas soropositivas das 717 acompanhadas pela ANRS foram tratadas com anti-retrovirais (ARV) por iniciativa das autoridades desse país, para dar acesso a esses medicamentos, informou a médica Catherine Seyler da ANRS.

Essas pessoas, que no início do tratamento apresentavam uma elevada carga viral e um forte déficit imunológico, apresentaram em um ano uma taxa de sobrevivência de 92%, contra 71% dos pacientes em um estado similar que não receberam o tratamento.

Os pacientes que tinham o déficit imunológico mais forte apresentaram uma taxa de sobrevivência de 85%, contra 40% dos que não tiveram o mesmo tratamento.

Sete pacientes faleceram, todos eles com um importante déficit imunológico, com exceção de um.

Os testes clínicos realizados no Senegal desde agosto de 1998, com o objetivo de simplificar os tratamentos através da introdução de uma única dose diária, tiveram resultados similares, segundo o médico Roland Landman, da ANRS.

Esses testes demonstraram uma frágil resistência viral aos tratamentos e uma eficácia do tratamento idêntica às registradas nos países desenvolvidos.

Os resultados dos tratamentos simplificados também são "equivalentes ou até superiores aos de uma terapia convencional", segundo o doutor Landman.

"Esses resultados não nos surpreendem, mas precisamos mostrar que é factível, que é eficaz no contexto dos programas nacionais", declarou Michael Kazatchkine, da ARNS, sobre a questão do acesso aos anti-retrovirais na África.

"Nos dizem que não é factível, nem tolerável, nem eficaz, que não existe infra-estrutura. Em 18 meses demonstramos o contrário. Certamente, não há infra-estrutura para 35 milhões de pessoas, mas existe o suficiente para começar", destacou.

Um estudo similar, realizado em Uganda, teve resultados parecidos, segundo os cientistas da ANRS.

A questão do acesso aos tratamentos, em especial aos ARV, domina os debates da CISMA, pois a África é o continente mais afetado pela doença.

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