UAGADUGU, 13 dez (AFP) - As mulheres, mantidas em uma situação de submissão social, econômica e sexual, são as principais vítimas da pandemia da AIDS na África (55% das seropositivos), por causa, em grande parte, pela irresponsabilidade dos homens, indicaram cientistas e associações presentes na Conferência Internacional sobre a AIDS, que se realiza em Uagadugu.
"As africanas são vítimas de uma submissão múltipla aos homens", explicou Marie-Louise Ndala Musuamba, presidente do Tribunal de Apelação de Kinshasa e responsável pela rede africana de Direito, Ética e HIV.
Limitadas em sua grande maioria a "uma função econômica e de reprodução", analfabetas, pobres, dependentes dos homens, vítimas de uma legislação sobre a família, que lhes nega inúmeros direitos, as mulheres africanas são muito vulneráveis.
Presas entre "um estatuto social no qual o ato sexual é percebido essencialmente como algo que deve satisfazer o homem" e o tabu que pesa sobre qualquer discurso aberto sobre a sexualidade, "as mulheres se encontram em uma situação na qual até pedir proteção é um problema, inclusive no caso do comportamento de risco de seus cônjuges".
E o que é ainda pior, as mulheres são consideradas, no geral e injustamente, como vetor de transmissão da doença, já que as análises de diagnóstico precoce ainda não são popularizados na África, salvo em consultas pré-natais.
"Em nossa cultura, é normal que os homens façam o que querem (...) e eles se negam a usar preservativos", explica Alice Lamptey, presidente da Associação de Mulheres Africanas contra a AIDS (SWAA).
Em conseqüência, 63% das mulheres em Gana são seropositivas, quando na Europa ou na América do Norte as taxas variam entre 10 e 20%.
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