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África-Aids: Custo dos medicamentos: a lista de Schindler africana

Agence France-Presse - Dezembro 12, 2001
Richard Ingham

UAGADUGU, 12 dez (AFP) - O custo dos tratamentos para combater a Aids na África coloca os médicos do país em situação dolorosa. Eles terão de elaborar um tipo de lista de Schindler africana: tratar alguns pacientes e condenar outros à morte lenta.

Muito em breve, sem dúvida a partir do ano que vem, o doutor Jean-Baptiste Kiwallo, de 31 anos de idade, médico do Centro de Tratamento Ambulatório de Uagadugu, terá que fazer uma lista de quem, entre os mais pobres, poderá receber gratuitamente o tratamento contra o vírus da Aids.

O Ambulatório funciona há quinze meses na capital de Burkina Fasso, onde está sendo realizada esta semana a Conferência Internacional consagrada à Aids na África. Este centro oferece aos doentes da Aids conselhos, análise e tratamentos anti-retrovirais gratuitamente ou por uma quantia simbólica.

Há dias em que o número de pacientes chega a 100, e os dois médicos (logo serão três) e as quatro enfermeiras do estabelecimento não dão conta de atender todos eles.

Alguns têm condições de pagar os tratamentos, que permite estabilizar a doença, ainda que não a cure. Os mais pobres recebem tratamento gratuito.

O financiamento vem da Cruz Vermelha francesa, do governo de Burkina, uma fundação privada e a Organização Pan-Africana de Luta contra a Aids (OPALS).

Mas o Ambulatório só tem recursos financeiros suficientes para tratar cerca de 300 pacientes. Nos próximos meses, o doutor Kiwallo e sua equipe viverão dilemas dolorosos: a quem tratar e com qual critério escolher os pacientes que serão tratados (idade, estado de evolução da doença, situação familiar).

"Será doloroso, mas seremos obrigados a escolher", declara o doutor Kiwallo, precisando que os aspectos médicos, psicológicos e sociais serão analisados por três comissões distintas.

Os acordos alcançados pelo ministério nacional da Saúde e as assinaturas de farmacêuticos permitiram dividir por três o preço do coquetel de medicamentos contra a Aids, que passou de 450 dólares para 150 dólares por mês.

Segundo Kiwallo, diversas doações e subvenções permitirão reduzir ainda mais o preço do tratamento, elevando-o a 22,5 dólares mensuais. E, portanto, a lista de pessoas que receberão o tratamento poderá ser ainda maior.

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