PARIS, 1 dez (AFP) - Comícios, desfiles de todo tipo e mensagens de líderes mundiais marcaram neste sábado o décima quarto dia mundial de combate à AIDS, uma das epidemias mais mortíferas da humanidade que já matou 20 milhões de pessoas durante as últimas duas décadas.
Na África do Sul, o país com maior número de soropositivos (4,7 milhões), houve centenas de manifestações para denunciar os estigmas associados à doença responsável por uma morte em cada quatro registradas no país.
Em Pretória, na presença do ministro de Transportes, Dulá Omar, feiticeiros e curandeiros se dirigiram na manhã de sábado à multidão para destruir, aos gritos, os mitos ainda vigentes em algumas comunidades, como por exemplo que a prática de relações sexuais com uma virgem, sobretudo com adolescentes ou bebês, pode curar a AIDS.
No Zimbábue, onde 2.000 pessoas morerem semanalmente dessa pandemia, centenas de pessoas desfilaram ao som de cânticos e tambores na principal artéria comercial de Harare.
Em Abidjã, onde se manifestaram neste sábado milhares de pessoas, será realizado domingo um torneio regional de futebol destinado a promover a luta contra a AIDS.
Numerosas manifestações também marcaram o dia na Ásia, na China e na Índia.
Também houve manifestações no Japão, Paquistão, na Austrália, em Bangladesh, Nepal e Filipinas.
Na Europa, a associação francesa Act-Up, que organizou um desfile em Paris, destacou que os países ricos haviam mobilizado em dois meses os meios financeiros "que rejeitam há 20 anos para outro tipo de guerra, a da luta contra a AIDS".
Em Atenas, houve representações de teatro nas ruas e em Moscou haverá um show de rock no estádio Luzjniki da capital, o mesmo acontecendo em Praga.
Vinte anos depois da identificação, a doença já causou a morte de mais de 20 milhões de pessoas e a maioria dos 40 milhões de infectados pelo vírus HIV morrerá se não tiver acesso aos tratamentos disponíveis, indica a Onuaids.
Em 2001, a Aids matou 3 milhões de pessoas, enquanto mais de 5 milhões foram infectadas, elevando para 40 milhões o número de pessoas portadoras do vírus no mundo. Três quartos delas vivem na África Subsaariana, precisa o relatório anual, divulgado esta quarta-feira pela Onuaids e a OMS.
"Cerca de um terço das pessoas vivem com o HIV tem entre 15 e 24 anos de idade e a maioria não sabe que é portadora do vírus", assinala o relatório.
A Aids é hoje a principal causa de morte na África Subsaariana e a quarta no resto do mundo. Nos países que enfrentam graves problemas socioeconômicos, a doença ameaça o desenvolvimento e a estabilidade social em um nível sem precedentes, segundo a Onuaids.
A África Subsaariana continua sendo a região mais afetada pela aids no mundo, com 3,4 milhões de novos infectados este ano, o que eleva para 28,1 milhões o número de africanos portadores do vírus. A maioria "não sobreviverá além do próximo decênio", devido à falta de tratamento adequado.
No Norte da África e no Oriente Médio, a epidemia progride lentamente e Sudão e Somália estão entre os países mais afetados. Segundo a Unaids, 7,1 milhões de pessoas são portadoras do vírus na região da Ásia e do Pacífico, número que não inclui Austrália e Nova Zelândia. Cerca de 430 mil pessoas morreram de aids na região em 2001.
Na América Latina e no Caribe, 1,8 milhão de pessoas vivem com o HIV. "Com uma prevalência do HIV em adultos de 2%, o Caribe é a região mais afetada do mundo", destaca a Onuaids. O relatório também dá conta de um aumento dos índices de infecção nos países ricos, que têm acesso aos melhores e mais caros tratamentos, mas onde as pessoas vêm se descuidando na hora da prevenção.
Ainda assim, a Onuaids registra progressos na luta contra a doença. Seu diretor-executivo, o médico Peter Piot, lembra que em Uganda, Zâmbia e Tanzânia houve uma diminuição do número de novas infecções. Ele destaca que no Camboja, um dos países mais pobres do mundo, o sucesso na prevenção representa "uma lição para as demais nações".
No campo político, a sessão extraordinária da Assembléia Geral das Nações Unidas definiu, em junho passado, metas para evitar o agravamento da epidemia, principalmente entre recém-nascidos. Cabe aos governos cumprir esses compromissos, assinala Piot.
Segue o número de pessoas vivas com HIV/Aids:
No mundo: cerca de 40 milhões, das quais 37,2 milhões de adultos e 2,7 milhões de crianças com menos de 15 anos.
A nível regional (total adultos + crianças)
África subsaariana: 28,1 milhões
África do Norte e Oriente Médio: 440 mil
América Latina: 1,4 milhão
Caribe: 420 mil
América do Norte: 940 mil
Europa do Oeste: 560 mil
Europa oriental e Ásia Central: 1 milhão
Ásia do Leste e Pacífico: 1 milhão
Ásia do Sul e do Sudeste: 6,1 milhões
Austrália e Nova Zelândia: 15 mil
2) Novos casos de contágio pelo HIV em 2001
Total no mundo: um pouco mais de cinco milhões, sendo 4,3 milhões de adultos e 800 mil crianças de menos de 15 anos.
Total por região (adultos + crianças)
África subsaariana: 3,4 milhões
África do Norte e Oriente Médio: 80 mil
América Latina: 130 mil
Caribe: 60 mil
América do Norte: 45 mil
Europa do Oeste: 30 mil
Europa oriental e Ásia Central: 250 mil
Ásia do Leste e Pacífico: 270 mil
Ásia do Sul e do Sudeste: 800 mil
Austrália e Nova Zelândia: 500
3) Mortes causadas pela Aids em 2001
No mundo: quase 3 milhões, 2,4 milhões de adultos e 580 mil crianças de menos de 15 anos.
Total por regiões (adultos + crianças)
África subsaariana: 2,3 milhões
África do Norte e Oriente Médio: 30 mil
América Latina: 80 mil
Caribe: 30 mil
América do Norte: 20 mil
Europa ocidental: 6,8 mil
Europa oriental e Ásia central: 23 mil
Ásia do Leste e Pacífico: 35 mil
Ásia do Sul e Sudeste: 400 mil
Austrália e Nova Zelândia: 120
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