PARIS, 28 nov (AFP) - Na América Latina e no Caribe, "1,8 milhão de adultos e crianças vivem com HIV, inclusive as 190.000 pessoas que contraíram o vírus no ano passado", mas na região existem "importantes diferenças nos níveis da epidemia e nas tendências de transmissão", indica o informe anual 2001 publicado pela ONUAIDS e Organização Mundial da Saúde (OMS).
O número de portadores do vírus é de 1,4 milhão na América Latina e de 420.000 no Caribe, precisa o informe.
O Caribe é a região mais afetada, com uma taxa nos adultos (cerca de 2%) apenas superada pelos países da África Subsahariana.
Na América Central e no Caribe, o HIV "é transmitido principalmente de forma heterossexual, sendo as relações sexuais perigosas e a troca de casais freqüente entre os jovens os fatores mais importantes da extensão da epidemia".
No final de 1999, alguns países da zona, como a República Dominicana, Honduras ou Panamá, "apresentavam taxas de prevalência do HIV entre adultos de pelo menos 1%".
"Essa taxa é mais baixa na Bolívia, no Equador e outros países andinos", acrescenta o informe, que assinala que, "na Costa Rica, México, Nicarágua e em algumas partes da região andina, as relações sexuais entre homens são o principal modo de transmissão do HIV".
No que diz respeito à Argentina, Chile e Uruguai, o principal modo de transmissão é "o consumo de drogas intravenosas", o qual desempenha também um importante papel no Brasil.
A ONUAIDS enfatiza que "os padrões de transmissão também podem ser muito distintos dentro dos países: uma advertência de que os programas nacionais universais são insuficientes", e dá como exemplo a Colômbia, onde, "nas terras altas, a maior parte das infecções por HIV são atribuídas às relações sexuais entre homens sem proteção, enquanto que, na costa, o coito heterossexual éo principal modo de transmissão".
O programa das Nações Unidas para o HIV-AIDS assinala que "o compromisso dos países em controlar a epidemia e reduzir seus efeitos aumento de forma destacada" na região, mas também, neste caso, "existem grandes disparidades na qualidade e no alcance dos programas de terapia anti-retrovírica dos diferentes países".
"O amplo acesso ao tratamento mantido pelas pessoas que vivem com o HIV em países como Argentina, Brasil e Uruguai não foi igualado ainda pelos outros países das Américas", afirma a ONAIDS, que assinala, no entanto, os progressos registrados na Costa Rica e Panamá.
O informe enfatiza em particular os esforços do Brasil no que diz respeito à prevenção e ao tratamento através do sistema de saúde pública, que fornece medicamentos para 105.000 brasileiros.
"Diversas iniciativas regionais parecem indicar também que se está manifestando uma nova determinação política" na luta contra a AIDS, indica o informe, que, como exemplo, cita a Associação Pan-caribenha contra o HIV-AIDS, criada e fevereiro de 2001, a iniciativa regional da América Central, o programa de colaboração da Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai destinado a reduzir os riscos entre os usuários de drogas, e a incorporação dos programas nacionais para a AIDS AO PLANO denominado Grupo de Cooperação Técnica Horizontal, destinado a compartilhar a assistência técnica e no qual participam 20 países latino-americanos.
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