WASHINGTON, 19 nov (AFP) - O vírus da Aids penetra nas células e prolifera prendendo-se à membrana rica em colesterol, segundo um estudo americano, que oferece uma nova pista pra impedir a progressão do vírus no organismo.
"Nossa pesquisa deixa entrever a intrigante possibilidade de que medicamentos amplamente utilizados para reduzir o colesterol poderiam ter um efeito no homem semelhante ao que enntramos nesses primeiros estudos em laboratório", explicou Eric Freed, principal autor do informe publicado na edição desta terça-feira na revista Proceedings da Academia Nacional de Ciências.
Os pesquisadores já sabiam que uma proteína do vírus HIV se prende ao interior da célula antes que o vírus possa contaminar essa mesma célula. Os cientistas suspeitam que esta proteína (Gag) escolhe certas zonas para se prender, o que esse estudo confirma.
Eric Freed e seu co-autor, Akira Ono, estabeleceram que a proteína se prende ao colesterol presente na célula, o que lhe permite produzir várias formas mutantes da proteína Gag que partem ao assalto de sua anfitriã.
Os cientistas conseguiram também observar a evolução do vírus quando ele é impedido de se prender ao colesterol da célula. Para fazer isso, utilizaram duas substâncias, uma para tirar o colesterol da superfície da célula e outra bloqueando a própria fabricação do colesterol pela célula.
Aplicadas separadamente, cada substância reduz de maneira significativa a capacidade do HIV de infectar novas células. Mas aplicadas simultaneamente a células que já produzem o vírus, as substâncias suprimem quase totalmente a capacidade de reprodução do HIV.
"São necessárias experiências suplementares para determinar se a interação (entre a proteína Gag do vírus e o colesterol) pode ser interrompida de maneira terapêutica para tratar as pessoas infectadas pelo HIV", agregou Freed, do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas, de Washington.
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