PEQUIM, 13 nov (AFP) - A abertura, esta terça-feira, em Pequim, da primeira conferência nacional sobre a Aids demonstra que o Governo da China começa a reconhecer a amplitude alcançada pela doença no país, mas para para evitar uma catástrofe terá de reforçar a luta, dizem especialistas.
"Se não há alteração (na China) na intensidade da resposta à Aids, a doença se propagação enevitavelmente", declarou ao iniciar a conferência o diretor da ONUSIDA, Peter Piotr, que estima que "durante as próximas duas décadas o que acontecer na China será determinante na massa global que representa a Aids".
O ministro chinês da Saúde, Zhang Wenkang, revelou, por sua vez, que o número de contaminação pelo vírus da Aids aumentou em 67,4% no primeiro semestre deste ano com relação ao primeiro semestre do ano passado. O número de pessoas com Aids na China "ultrapassa hoje os 600.000", disse.
A China enfrenta aumento acelerado do número de pessoas contaminadas devido aos métodos de coleta de sangue, da alta no consumo de drogas e do aumento da prostituição. A cifra de 600.000 soropositivos é contestada por médicos particulares, que acreditam que pode haver um milhão de pessoas contaminadas pelo HIV só na cidade de Henan (centro).
Se o país adotar as medidas adequadas, "dez milhões de contaminação podem ser evitadas nas próximadas décadas", segundo Piotr.
Por sua vez, Shen Jie, diretora do Centro Nacional de Prevenção e controle da Aids, declarou hoje que a China não descarta a possibilidade de quebrar as patentes de medicamentos caso as farmacêuticas não reduzirem seus preços.
Shen precisou que atualmente negocia com a Merck e a GlaxoSmithKline, e que ambas empresas se mostraram dispostas a baixar seus preços, mas pedem em troca que o governo chinês reduza suas taxas, o que está sendo planejado.
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