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EUA-aids: Temores de aumento da epidemia da aids nos Estados Unidos

Agence France-Presse - Agosto 14, 2001
Pascal Barollier

WASHINGTON, 14 ago (AFP) - A não-redução do número de doentes afetados pela aids nos Estados Unidos nos últimos dois anos e o aumento do risco assumido nos comportamentos sexuais fazem temer às autoridades americanas da saúde um novo surto da epidemia.

"Enfrentamos um risco real de ressurgimento da infecção pelo HIV", advertiu segunda-feira a médica Helene Gayle, responsável pela luta contra a aids nos centros de controle de enfermidades infecciosas (CDC) de Atlanta (Georgia, sul), durante uma conferência consagrada à prevenção da doença.

Os últimos dados disponíveis, correspondentes ao primeiro semestre de 2000, mostram que 16.000 americanos morrem de aids e que 40 mil pessoas contraem o vírus a cada ano, cifras estacionárias desde 1998, mas que ocultam uma nova realidade nos setores da população afetados pelo flagelo.

O vírus "afeta gente mais jovem, mais mulheres e mais afro-americanos", resume Gayle, frisando que as mulheres heterossexuais são o grupo no qual o vírus tem o maior crescimento.

A conduta sexual de risco entre os homossexuais tende a se generalizar, em um grupo que representa 42% das novas infecções anuais. Os heterossexuais infectados durante suas relações sexuais representam 33% do total e os viciados em droga por via intravenosa 25%.

Um estudo realizado com um grupo de 13.000 homossexuais de Seattle (Washington, noroeste) mostra uma duplicação do número de soropositivos, com 20% deste setor da população afetado pelo vírus em 2000 contra 10% em 1998, por causa de uma utilização mais irregular de preservativos e do aumento do número de pessoas com as quais se têm relações sexuais. Em 2000, 58% dos membros deste grupo declaravam seis parceiros ou mais durante o ano anterior, contra 45% que haviam tido relações com seis ou mais pessoas em 1994.

No bairro South Beach de Miami (Flórida, sudeste) os estudos revelam que 16% dos homossexuais entre 23 e 29 anos são soropositivos, enquanto o são também 34% dos homossexuais acima de 29 anos. Metade dos participantes nos estudos admitiu ter mantido relações sexuais sem proteção no ano anterior.

Outro estudo feito pelos CDC em comunidades homossexuais de seis cidades americanas também mostra dados alarmantes para a população negra, da qual 14,7% são infectados a cada ano contra 3,5% dos latinos e 2,5% dos brancos.

Nesse panorama globalmente sombrio, alguns dados são animadores. A generalização do teste de aids nas mulheres grávidas permitiu reduzir o número de bebês que nascem soropositivos a 156 nos Estados Unidos em 1999, uma cifra 84% menor do que o nível mais alto registrado em 1992.

A porcentagem de contágio dos viciados em droga por via intravenosa também está em queda desde os anos 80, na maioria das regiões onde se realizaram estudos, com a porcentagem de soropositivos nesse grupo na cidade de Nova York reduzindo a um quinto em 2000 contra 50% em 1990.

"Devemos trabalhar para que o nível que alcançamos não se estanque, ou como fazem temer algumas tendências, se transforme em uma epidemia novamente em crescimento", advertiu a médica.

Entre 1981, quando apareceram os primeiros casos, e final de 2000, foram registrados 774.467 aidéticos nos Estados Unidos, 448.060 dos quais morreram, segundo os CDC.

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