PARIS, 11 jul (AFP) - Os medicamentos aliviam mais a dor do que a maconha, afirma em sua última edição o British Medical Journal, que dedica um editorial aos supostos efeitos terapêuticos da erva no combate ao mal-estar causado pela quimioterapia.
A revista, que considera relativa a ação terapêutica da maconha, aborda este tema justamento no momento em que o Canadá anunciou (no dia 4 de julho) que os portadores do HIV e os doentes de câncer podem ser autorizados a fumar maconha.
"Os tipos de cânhamo disponíveis atualmente perdem claramente a batalha, tanto no plano da eficácia quanto da segurança, para os medicamentos de hoje", escreve o o professor Eija Kalso, do hospital universitário de Helsinki, num editorial da revista que acompanha a publicação de dois estudos sobre uma série de testes relacionados.
Na primeira pesquisa, dedicada à dor, uma equipe suíço-britância analisa nove testes. Derivados de cânhamo foram administrados por via oral ou injeção em 222 pacientes para tratar dores causadas pelo câncer, crônicas ou pós-operatórias. Não houve testes com maconha fumada ou inalada.
Em oito dos nove testes, a cannabis não se mostrou eficiente como a codeína oral utilizada contra dores agudas ou crônicas, mas acarretou maiores efeitos colaterais, afirma a equipe dos médicos Fiona Campbell (Nottingham, Grã-Bretanha) e Martin Tramer (Genebra).
Para as dores pós-operatórias, os tratamentos atuais também dão melhores resultados que a cannabis, que poderia atuar contra as dores crônicas não cancerosas, segundo os autores.
Num segundo artigo, a mesma equipe avalia a ação da cannabis contra as náuseas e vômitos provocados pela quimioterapia, analisando 30 testes com 1.366 pacientes, publicados entre 1975 e 1996.
A cannabis, por via oral ou injetável, deu resultados levemente melhores que os tratamentos convencionais da época sobre os vômitos moderados, mas teve também mais efeitos colaterais. Apesar disso, tem sido comparada aos mais modernos medicamentos antienjôo.
"Muitos pacientes têm uma clara preferência pela cannabis", afirmam os médicos, que citam argumentos contra e a favor da sua utilização "limitada por seus efeitos colaterais" (alucinações, paranóia).
Para alguns pacientes "a cannabis pode ser útil" contra as náuseas da quimioterapia, graças aos seus efeitos colaterais potencialmente benéficos (euforia, sedação), acrescentam os especialistas.
O professor Kalso recomenda a realização de "testes controlados em condições rigorosas nas patologias para as quais não tenham sucesso tratamentos eficazes". Ele acredita que a pesquisa realizada na Grã-Bretanha, em pacientes que sofriam de esclerose, é um primeiro passo neste sentido para verficar os efeitos da maconha para a dor.
Na França, também estão sendo realizadas pesquisas parecidas em relação à esclerose e ao glaucoma.
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