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ONU-Informe-tecnologia: ONU afirma que novas tecnologias podem ajudar a diminuir pobreza mundial

Agence France-Presse - Julho 10, 2001
Robert Holloway

NOVA YORK, 10 jul (AFP) - A ONU afirmou nesta terça-feira que as novas tecnologias podem contribuir bastante para reduzir a pobreza no mundo, rejeitando os argumentos dos que alegam que pessoas que vivem com um dólar não podem comer computadores.

Os países do terceiro mundo não podem usufruir dos benefícios da alta tecnologia devido ao mau uso dos recursos públicos, distorsões de mercado e direito de propriedade injustos, garantiu o informe anual sobre desenvolvimento humano do Programa de Desenvolvimento da ONU (PNUD).

O informe incentiva a reunir mais recursos internacionais para pesquisa e desenvolvimento; aplicar preços diferenciados para medicamentos e outros produtos de alta tecnologia destinados a nações pobres.

"Estão em jogo forças poderosas que arriscam deixar o Sul com a subtecnologia para resolver seus problemas", disse o administrador do PNUD, Mark Malloch Brown, à imprensa.

"O informe é uma convocação à luta. Garante que há lugar para uma aplicação da tecnologia em ritmo acelerado para o desenvolvimento, dando início a uma política pública inteligente", afirmou.

Como exemplo do que a tecnologia avançada pode fazer num país em desenvolvimento, a Silicon Valley da Índia - na cidade do Sul de Bangalore- aumentou suas exportações de 150 milhões de dólares em 1990 a 4 bilhões em 1999. Além disso, aconteceu uma explosão paralela no número de empresas privadas que ensinam aos usuários da Internet.

Entretanto, "muitas das maravilhas da alta tecnologia que deslumbram o Norte rico são inadequadas ao Sul pobre", reconheceu o informe, que identificou quatro prioridades:

- desenvolver vacinas contra doenças tropicais, HIV e tuberculose.

- empregar a biotecnologia para produzir novos tipos de cultivos básicos para o terceiro mundo.

- computadores de baixo custo, conexão sem fio e freeware.

- geradores de baixo custo e com bateria solar para produzirem energia.

Os 29 membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) gastaram 520 bilhões de dólares em pesquisa e desenvolvimento en 1998 - mais que toda a produção econômica dos 30 países mais pobres. Os investimentos foram destinados principalmente para pesquisa de doenças que afetam o Norte, segundo o informe.

"Em 1998, os gastos mundiais com pesquisa na área de saúde foram 70 bilhões de dólares, mas somente 300 milhões dedicados a vacina para o HIV e 100 milhões para malária", relata.

"Dos 1.223 novos medicamentos comercializados no mundo inteiro entre 1975 e 1996, somente 13 foram desenvolvidos para tratar doenças tropicais", acrescentou. De forma similar, nos EUA 50% das pessoas usam internet, contra somente 0,4% dos africanos.

Os monopólios das telecomunicações são um obstáculo para aumentar o acesso à internet. Enquanto este custa em média 1,2% da renda média mensal nos EUA, contra 107% em Uganda, compara o informe.

Sem dúvida, o fator que mais contribui para as desigualdades é a educação", afirmou Malloch Brown.

"Se a Tecnologia da Informação não decola, não é necessariamente porque não se tem fibra ótica ou uma infra-estrutura de telecomunicações, mas porque não se tem pessoas suficientes com nível superior para alimentar o setor", avalia.

Segundo o informe, os governos dos países em desenvolvimento têm que desempenhar um papel vital na promoção da educação secundária e superior, além da política tarifária para as telecomunicações.

"São as políticas, não a caridade, que vão determinar se as novas tecnoligas podem se transformar em ferramenta do desenvolvimento humano no mundo inteiro", disse o informe.

O documento convocou os governos e as empresas dos países ricos a ajudarem no processo. Um aumento de 10% na ajuda oficial ao desenvolvimento tornariam disponíveis 5,5 bilhões de dólares para pesquisa, garantiu.

Uma das partes mais controvertidas do informe argumenta a favor de uma utilização mais justa dos direitos de propriedade intelectual, "que estão concentrados e aplicados em todas as partes do mundo".

O número de pedidos de patentes internacionais aumentou 10 vezes, de 7 mil em 1985 a 74 mil em 1999, num boom que colocou novos abismos para os países em desenvolvimento.

O documento "Aspectos dos Direitos de Propiedade Intelectual Relacionados ao Compercio" (TRIPS) da Organização Mundial do Comércio (OMC) permite aos governos emitir licenças compulsórias para companhias que fabriquem produtos já patenteados por outros, segundo o informe.

Entretanto, devido à pressão da Europa e dos Estados Unidos, nenhuma licença compulsória foi emitida ao Sul do Equador", acrescentou. Deveria se permitir que os países em desenvolvimento ponham em prática o que teoricamente o Trips lhes permite fazer, concluiu o informe.

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