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ONU-Aids-AmLat: Tirando o Brasil a América Latina é atrasada na guerra contra a Aids

Agence France-Presse - Jun 27, 2001


NOVA YORK, 27 Jun (AFP) - A América Latina está atrasada na guerra contra a Aids, sublinharam organizações não governamentais presentes na reunião da Assembléia-Geral das Nações Unidas sobre esta epidemia, que terminou quarta-feira com a adoção de um plano mundial de luta contra a doença.

Apesar da "protagonista" da conferência ter sido a África, a America Latina é no mundo uma das regiões mais assoladas pela doença, seguida pelo Caribe. Centenas de delegados e ativistas latino-americanos viajaram para Nova York para participar nos trabalhos e debates que terminaram depois de três dias de sessões.

Na América Latina e no Caribe, no ano 2000, 1,8 milhões de adultos e crinças foram infectados com a doença.

Na América Central, o país mais afetado é Honduras, que com apenas 17% da população da América Central, concentra 60% de casos de Aids na região.

O crescimento da epidemia é grande na região, disseram fontes da ONU, que pediram união de forças nessa luta.

"Os países da América Latina não incluíram as organizações não governamentais de luta contra a Aids em suas delegações", disse Rocío Zumaeta Moses, do Instituto de Educação e Saúde do Peru. "E somos as que mais experiência temos nessa luta", disse à AFP a ativista peruana.

Os ativistas latino-americanos contra a Aids pediram um esforço maior não só preventivo mas também no tratamento.

Nesse panorama desolador, onde os cuidados contra a Aids são quase nulos, o Brasil se sobressai "pelo compromisso e seriedade" em sua luta contra a aids, frisou Reynaldo Matos, um ativista brasileiro, que explica que no país dele foi criado um tratamento contra a Aids mais eficaz que em muitos países em desenvolvimento ou desenvolvidos.

O Brasil enfatiza não só a prevenção, mas também o tratamento. Por exemplo, em 1996, Brasília estipulou que a empresas estrangeiras perderiam a proteção de patentes se não fabricassem os remédios no Brasil, ou cedessem as fórmulas para empresas locais para que os medicamentos estivessem disponibilizados ao público, num prazo máximo de três anos.

Mesmo antes dessa lei, o governo brasileiro já autorizava laboratórios governamentais a copiar remédios estrangeiros com patentes.

Com esses esforços na luta contra a Aids, os Estados Unidos não conseguiram manter uma posição de confronto justamente com o Brasil, disse o ativista. Matos sublinhou a "coincidência" de que os Estados Unidos tenham anunciado, paralelamente a realização desta reunião, que decidiram permitir ao Brasil a fabricação e a comercialação de remédios copiados de patentes multinacionais para combater a doença.

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