NOVA YORK, 27 jun (AFP) - Os 189 Estados membros da ONU adotaram esta quarta-feira um plano de guerra contra a Aids, que pede que os países desenvolvam a prevenção e o tratamento, mas que não menciona os grupos que mais sofrem com a doença, como os homossexuais.
"Temos um documento que expõe um plano de batalha bem definido na guerra contra a Aids, com objetivos claros e um calendário preciso", anunciou o secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, que classificou de "histórica" a reunião especial da Assembléia-Geral sobre a aids, que contou com a participação de 30 chefes de Estado, principalmente da África, e os ministros da saúde de todo o mundo.
O documento, intitulado "Diante de uma crise global, uma ação global", define objetivos de prevenção e de tratamento da epidemia, destacando os "direitos humanos" das pessoas infectadas pela Aids, e a necessidade de se fazer um maior esforço nas pesquisas, até descobrir uma vacina contra a Aids.
O texto reafirma o direito das pessoas mais vulneráveis ao vírus "por causa de suas orientações e comportamentos sexuais", a ter proteção e tratamento contra a enfermidade, ainda que não menciona explicitamente os homossexuais, as prostitutas, as lésbicas, os viciados em drogas e os presos.
O secretário-geral reconheceu em coletiva à imprensa que nesse sentido o documento tinha trazido à tona "dolorosas diferenças".
Depois de três dias de debates e centenas de expressões de boa vontade para lutar contra a doença, a ONU não conseguiu porém tirar dos países ricos o dinheiro suficiente para lutar contra a epidemia.
Annan pediu entre sete e dez bilhões de dólares anuais para a luta contra a Aids que, segundo as projeções mais pessimistas, pode afetar cem milhões de pessoas até 2005.
No final da reunião de cúpula, este fundo tinha reunido apenas 645 milhões, muito longe da quantia estimada pela ONU para lutar seriamente com a epidemia, que já deixou 13 milhões de órfãos no mundo.
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