NOVA YORK, 27 Jun (AFP) - O especialista norte-americano Seth Berkley fez um alerta aos governos na sessão extraordinária da Assembléia Geral das Nações Unidas, que se celebra em Nova York.
O especialista, ex-médico, fundou em 1996 a Iniciativa International para uma Vacina contra a Aids (IAVI, na sigla em inglês), uma organização multinacional que recebe apoio de várias organizações estrangeiras e diversas fundações.
1. Quando estará pronta uma vacina contra a Aids?
Seth Berkley: Isso dependerá do esforço mundial no assunto. No momento, a pesquisa sobre uma vacina contra a Aids está muito embaixo na lista de prioridades. Os orçamentos de pesquisa dedicados à criação de uma vacina representam entre 350 e 400 milhões de dólares, ou seja apenas 2% dos 20 bilhões de dólares gastos por ano no mundo para a prevenção, embora o valor seja três ou quatro vezes maior do que há três ou quatro anos. Além disso, os cientistas trabalham sobre o problema. Existe o interesse de finalizar uma vacina porque se trata da única solução real a longo prazo. No momento temos um certo número de bons protótipos de vacina em fase de testes clínicos. Então, poderíamos ter uma vacina dentro de sete a dez anos.
2. No caso da criação de uma vacina contra a Aids, quais serão os principais obstáculos para sua distribuição mundial, em especial nos países mais afetados pela epidemia?
SB: O primeiro obstáculo é econômico. Antes, eram necessários vinte anos ou mais para que as vacinas chegassem aos países do terceiro mundo. Este tipo de calendário é inaceitável para uma vacina contra a Aids. Por exemplo, no caso da hepatite B o preço da vacina foi bastante reduzido, mas continua sendo inacessível a 40% das pessoas que dela precisam (...) É preciso saber que a cada ano ocorrem 15.000 novas infecções de HIV e que 95% delas ocorrem nos países em desenvolvimento, onde o acesso à serviços de saúde é muito difícil. Inclusive, se descobrirmos uma vacina, será necessário um mínimo de cinco anos para que chegue a esses países.
3. O que se propõe a respeito?
SB: É preciso uma tomada de consciência rápida e geral dos governos. Atualmente os laboratórios farmacêuticos têm pouco interesse em investir em massa na pesquisa de vacinas. O desafio para o setor público é pôr em prática uma política de preços diferenciados, com reduções para os países pobres, protegendo sempre a margem de lucro dos laboratórios nos países industrializados.
Por isso proponho a criação de um Fundo Mundial de Compra de Vacinas, financiado pelas constribuições dos países e das organizações privadas, que garantirá por um lado o acesso dos países desenvolvidos às doses de vacinas e por outro oferecerá à indústria farmacêutica a garantia de um mercado real.
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