NOVA YORK, 27 Jun (AFP) - Uma vacina contra a Aids pode ser comercializada daqui a entre cinco e dez anos, mas ainda faltam vencer alguns obstáculos sanitários, econômicos e industriais para sua fabricação e distribuição em grande escala, informaram pesquisadores e especialistas presentes na conferência da ONU sobre a Aids em Nova York.
No ano passado, apenas 350 milhões de dólares de fundos públicos e privados foram destinados à pesquisa sobre a vacina anti-Aids, enquanto Estados Unidos e Europa gastaram mais de 3 bilhões de dólares só em remédios para tratar as doenças da Aids.
No entanto, com 15.000 pessoas infectadas a cada dia pelo Vírus da Imuno-Deficiência Humana (HIV), que provoca a Aids, uma vacina continua sendo a maior esperança dos cientistas para acabar com a epidemia que já provocou 22 milhões de mortes em 20 anos.
Para Seth Berkley, presidente da Iniciativa Internacional para uma Vacina contra a Aids (IAVI), já se perdeu muito tempo. "Vinte anos depois do surgimento da Aids, nenhum tipo de vacina foi completamente testada. É uma vergonha", disse indignado.
Em parte a lentidão dos avanços também se explica pelas dificuldades que o HIV representa para os cientistas.
Embora atualmente os pesquisadores saibam mais sobre os mecanismos de mutação e propagação do vírus, ainda ignoram detalhadamente "as correlações precisas entre resposta imunitária e proteção", explica Michael Klein, diretor do programa de vacina da Aids de Aventis Pasteur.
Por outro lado, destaca, "não há um modelo de animal que permita fazer um prognóstico do que a vacina fará nos homens".
Os testes clínicos nos homens são lentos, caros e precisam de muito tempo. No total, a pesquisa de uma vacina custa em média entre 180 e 300 milhões de dólares, segundo a IAVI.
"Ainda precisamos de uma média de onze anos para termos um protótipo", precisou Rolf Krebs, presidente da Boehringer Ingelheim (Alemanha), uma das seis empresas farmacêuticas comprometidas na pesquisa.
Apesar dos obstáculos, os pesquisadores não estão de braços cruzados: algumas vacinas estão prestes a ser finalizadas, e dessas seis já foram testadas clinicamente.
"Estas vacinas poderão entrar no mercado daqui a entre cinco e dez anos", prevê Roklf Krebs.
A empresa mais avançada nesta questão é a Vaxgen, filial da empresa de biotecnologia Genentech. Seu protótipo, uma vacina da primeira geração, batizada AIDSvax, é a única que atinge o estado de teste de eficiência (fase III). A análise final dos resultados deve sair até 2002.
Michel Kein acredita que as vacinas combinadas da segunda geração serão mais promissoras, pois darão uma resposta "multifatorial". "As vacinas que estamos por finalizar poderão induzir respostas imunes muito longas: no início, os anticorpos para neutralizar o vírus e, depois, células citotóxicas para matar as células infectadas".
Mas, mesmo que se finalize uma vacina, sem um amplo esforço público internacional os países em vias de desenvolvimento correm o risco de não ver a solução por muito tempo, previne Berkley, que propõe a criação de um fundo mundial para garantir a compra de doses de vacinas para os países mais pobres.
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