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ONU-Aids: A Aids dizima a mão-de-obra e reduz crescimento econômico mundial

Agence France-Presse - Jun 26, 2001
Ana María Echeverría

NOVA YORK, 26 jun (AFP) - A Aids, além de ser um problema de saúde, tem um dramático custo econômico, dizima a mão-de-obra e reduz o Produto Nacional Bruto (PNB) dos países atingidos pelo vírus, adverte a ONU, que lançou uma mobilização nacional para lutar contra a epidemia.

A "Aids arruina as economias", resumiu o diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), o chileno Juan Somavia, que participou esta terça-feira nas Nações Unidas num painel consagrado a este tema.

A epidemia provoca uma redução de até 2% do crescimento econômico dos países em desenvolvimento mais atingidos pelo vírus, destacou.

E, se a doença continua se propagando no ritmo atual, as projeções indicam que o PNB de vários países vai se reduzir até 40%, afirmou Mark Malloch Brown, diretor do programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), que participou do painel.

Além disso, Peter Piot, diretor-geral da ONUAIDS, o programa da ONU para a Aids, concordou que a epidemia atinge em particular a força de trabalho, enfraquecendo as economias dos países mais afetados.

"Estima-se que 23 milhões das 36 milhões de pessoas doentes de Aids ou soropositivas tem um trabalho", precisou Somavia.

O vírus - com seu rasto de doença e morte - se traduz para as empresas em milhões de horas de trabalho perdidas, pelo que a pandemia tem um enorme impacto nas corporações, diminuindo seus lucros, agregou o ex-representante do Chile nas Nações Unidas.

Por exemplo, as projeções baseadas na taxa de infecção e de morte na região do Caribe, onde 2,11% da população está afetada pela Aids, destacam que o PNB desses países baixaria em 5% para o ano 2005, pricipalmente por causa da diminuição da força de trabalho e redução de investimentos em turismo, advertiram delegados caribenhos.

Na África, o continente mais atingido pela Aids, a situação é ainda pior. No Quênia, se a epidemia continuar avançando no ritmo atual, o PNB será 15% menor que se não houvesse o vírus.

Esta situação tem motivado grandes empresas, e não somente do setor farmacêutico, a começar a se envolver na luta contra a Aids, alegrararam-se os participantes da mesa redonda consagrada ao impacto econômico da Aids, que no entanto advertiram que a participação das corporações ainda é muito pequiena.

Segundo um ativista contra a Aids, as iniciativas recentemente anunciadas por algumas grandes corporações, nas vésperas da reunião da ONU sobre a Aids, que termina na quarta-feira, são mais "parte de uma campanha de relações públicas", e não obedecm a um "real compromisso" para lutar contra a doença.

Entre algumas destas iniciativas, está a formação de uma sociedade entre ONUAIDS com a multinacional Coca-Cola para combater a Aids na África.

Em termos do acordo, a Coca-Cola - a multinacional com mais funcionários na África - apoiará os programas de educação, prevenção e tratamento da Aids nessa região.

Também a empresa de automóveis DaimlerChrysler anunciou recentemente que pagaria os medicamentos contra a Aids de seus funcionários na África do Sul.

Esta participação do setor privado se deve também, em grande parte, aos esforços do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, que tem feito apelos urgentes aos presidentes de grandes indústrias para que se unam na guerra contra a doença.

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