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ONU-Aids,Prev-Síntese: Conferência sobre a Aids tropeça em problema de falta de dinheiro e de intolerância

Agence France-Presse - Jun 25, 2001
Ana María Echeverría

NOVA YORK, 25 jun (AFP) - A conferência da ONU sobre a Aids, inaugurada esta segunda-feira em Nova York com um apelo do secretário-geral Kofi Annan a juntar forças contra a doença, tropeça com o problema do dinheiro para financiar esta luta e com as posturas "conservadoras" de alguns dos países membros.

Na abertura desta reunião de três dias, que começou consagrando um minuto de silêncio em memória dos 22 milhões de vítimas da doença, Annan expressou o desejo de que, no final da reunião, as Nações Unidas possam enviar ao mundo "uma mensagem de otimismo".

Mas a guerra contra essa doença, que afeta 36 milhões de pessoas, essencialmente nos países pobres, não pode ser realizada com conceitos "moralistas", advertiu Annan, ante cerca de trinta chefes de Estado ou de governo (da África e do Caribe), e dezenas de ministros de saúde do mundo.

"Não podemos enfrentar a Aids fazendo julgamentos morais, ou recusando encarar fatos desagradáveis, nem estigmatizando aqueles que estão doentes, fazendo como se isso fosse sua culpa", reprovou Annan, que deixou claro no plenário sua emoção sobre os estragos humanos, sociais e econõmicos provocados por esta pandemia, que tem atingido principalmente seu próprio continente, a África.

O secretário-geral da ONU recordou "que cada pessoa que está infectada, seja qual for a razão, é um ser humano, com direitos humanos e necessidades humanas".

"Que ninguém acredite que podemos nos proteger (da Aids) levantando barreiras, entre nós e eles", porque "no mundo cruel da Aids, não há lugar para "nós" e "eles", disse Annan, apelando implicitamente para que sejam superadas as barreiras levantadas por países conservadores e o restante de países membros da ONU.

Mas, apesar deste apelo tão vibrante do chefe da ONU, o primeiro dia de conferência se desenvolveu sob a sombra da "intolerância" de países conservadores, muçulmanos e alguns países católicos, liderados pelo Vaticano, que são contrários, entre outras coisas, à participação de um homossexual em uma das mesas redondas em que está dividida a conferência.

Os delegados debateram asperamente, durante duas horas e meia, sobre se seria aceito ou não a participação de Karyn Kaplan, da Comissão Internacional de Direitos Humanos de Gays e Lésbicas, com sede em San Francisco (Califórnia), nos trabalhos de um dos painéis.

No final dos debates, 62 estados membros da ONU apoiaram a moção do Canadá, de admitir Kaplan na mesa redonda. Cerca de 30 países se abstiveram, enquanto que a maioria dos Estados muçulmanos se recusaram inclusive a votar.

Estes países conservadores são contrários também a que a declaração final que deve ser adotada na quarta-feira, no encerramento da cúpula, e que deve definir a estratégia da guerra contra a Aids, mencione os grupos que são particularmente vulneráveis a essa doença, como os homossexuais, as prostitutas e os presos.

E, além dessas divergências, o problema maior continua sendo o dinheiro para se lutar nesta guerra, reconheceu Annan, que apelou em particular aos países desenvolvidos, e doadores privados, que contribuam para o fundo proposto para combater essa doença.

Os países em desenvolvimento estão dispostos a contribuir para esse fundo, "mas não podem fazer isso sozinhos", advertiu o chefe das Nações Unidas, cujo prédio está decorado durante esta reunião com o laço vermelho símbolo da luta contra essa enfermidade mortal.

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