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ONU-Aids: África pede a solidaridade internacional para poder lutar contra a Aids

Agence France-Presse - Jun 25, 2001
Francis Temman

NOVA YORK, 25 jun (AFP) - Vários chefes de Estado da África, o continente mais severamente afetado pela pandemia da Aids, fizeram um enfático apelo à solidaridade internacional nesta segunda-feira nas Nações Unidas e exigiram o acesso da população de seus países a tratamentos mais baratos.

Enquanto a maioria dos 160 países que participam da sessão extraordinária da Assembléia Geral da ONU sobre a Aids, que vai até quarta-feira em Nova York, estão representados em nível ministerial, a decisão de 24 presidentes africanos e do Caribe de irem brigar pessoalmente por sua causa na Assembléia é um sinal da gravidade da situação.

O presidente Festus MogaeEste, de Botsuana - um pequeno país da África austral- lembrou que a nação é a mais afetada do continente, com um percentual recorde: 35,8% da população adulta está contaminada com o HIV ou é doente de Aids.

A África subsaariana é a região do mundo mais afetada pela doença, com 25,3 milhões de enfermos ou portadores do HIV -70% de todos os casos em nível mundial- sobre um total de 36,1 milhões de pessoas afetadas em todo o mundo, segundo números fornecidos pela ONUAIDS no final de 2000.

Em meio à pobreza, à fome e às guerras, a pandemia dizima lentamente o continente negro que registra 17 milhões de mortes pela Aids, dos quais 2,4 milhões registradas ano passado.

Em abril, durante a reunião de cúpula de Abuja (Nigéria), os países africanos aceitaram assumir sua parte no fardo econômico representado pela luta contra a doença e se comprometeram a consagrar 15% de seus orçamentos nacionais à saúde e prioritariamente, à luta contra a Aids.

Os presidentes pediram que se aumente de sete a 10 bilhões de dólares o fundo mundial, criado pelo secretário geral da ONU, Kofi Annan, para a luta contra a Aids.

"O fato é que, pela fragilidade de nossas economias, simplesmente carecemos de capacidade para responder de forma adequada à amplitude da epidemia", enfatizou Olesegun Obasanjo, presidente da Nigéria.

Os tratamentos à base de coquetéis de medicamentos anti-retrovirais que permitem diminuir e até frear o avanço da enfermidade cuestam entre 10 e 20.000 dólares por ano por pessoa e já são de uso corrente nos países desenvolvidos.

"Os países em vias de desenvolvimento nem sempre podem aceder a estes novos tratamentos", destacou Omar Bongo, presidente do Gabão. Bongo destacou o "dever humanitário e de solidaridade" dos países ricos.

"O custo exorbitante dos medicamentos, segundo a lógica singular do benefício, é (...) simplesmente imoral e inaceitável já que atenta contra o direito sagrado e fundamental do Homem à vida", sentenciou o presidente do Senegal, Abdulaye Wade.

Como parte de uma parceria público-privada entre várias organizações internacionais e cinco grandes sociedades farmacêuticas (Boehringer Ingelheim, Bristol Myers Squibb, Glaxo Wellcome, Hoffman La Roche e Merck), já estão em marcha esforços para permitir o acesso dos países pobres a tratamentos anti-retrovirais a baixo preço.

"Conseguimos importantes reduções de preços mas os custos dos medicamentos contra o HIV e a Aids estão sempre fora do alcance da maioria das pessoas que precisa deles", reconheceu o médico Peter Piot, diretor geral da ONUAIDS.

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