NOVA YORK, EUA, 25 jun (AFP) - O secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, abriu esta segunda-feira a conferência da ONU sobre aids com um vibrante chamado à união de forças contra a doença, para que, "ao fim da reunião, possa ser enviada ao mundo uma mensagem de otimismo".
Antes do discurso de Annan, a Assembléia Geral da ONU, que pela primeira vez na história dedica uma sessão exclusivamente a um tema relacionado à área de saúde, fez um minuto de silêncio em memória dos 22 milhões de vítimas da doença.
O chefe da ONU enfatizou que não se pode combater a doença, que afeta 36 milhões de pessoas, principalmente nos países pobres, com idéias "moralistas". A declaração final da conferência enfrenta a resistência de países conservadores, muçulmanos e alguns católicos, liderados pelo Vaticano. Esses países não querem que a documento, que deve definir a estratégia de guerra contra a aids, mencione grupos particularmente vulneráveis à doença, como os homossexuais, as prostitutas e os presidiários.
"Não podemos enfrentar a aids fazendo julgamentos moralistas ou nos recusando a encarar fatos desagradáveis, tampouco estigmatizando aqueles que estão doentes", reprovou Annan. "Lembremos que cada pessoa que está infectada, seja por qual razão for, é um ser humano, com direitos humanos e necessidades humanas", disse o chefe da ONU, que se mostrou emocionado ao abrir a conferência sobre uma doença que afeta principalmente seu continente de origem, a África.
"Que ninguém imagine que podemos nos proteger criando barreiras entre nós e eles. No mundo cruel da aids, não há lugar para 'nós' e 'eles'", disse Annan, fazendo um chamado indireto à derrubada das barreiras entre os países conservadores e os outros membros da ONU.
Cerca de 30 chefes de Estado e governo, dezenas de ministros da Saúde e centenas de ONGs, empresas farmacêuticas e associações de luta contra a aids participam da conferência.
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