NOVA YORK, 24 jun (AFP) - O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, terá esta semana a dupla satisfação de acolher a primeira grande reunião mundial contra a Aids - uma causa pela qual vem lutando há anos - e de ser eleito, segundo tudo indica, para um novo mandato.
Annan, que anteriormente esteve encarregado das operações de manutenção da paz, pronunciará na manhã desta segunda-feira um discurso que deverá dar o tom aos três dias de deliberações da Assembléia Geral das Nações Unidas sobre a pandemia da Aids.
Será a primeira sessão da ONU consagrada a um problema de saúde em seus 55 anos de existência, o que demonstra a maneira com que evoluiu a agenda de prioridades do foro internacional durante o primeiro mandato de Annan.
O Conselho de Segurança, por sua vez, decidiu tratar da questão de sua reeleição durante a sessão que será celebrada na quarta-feira, dia 27.
O embaixador de Bangladesh e presidente em exercício do Conselho, Anwarul Chowdhury, adiantu na semana passada que Annan contará com o voto unânime dos quinze membros dessa instância da ONU.
Os cinco membros permanentes do Conselho (EUA, Rússia, China, França e Grã-Bretanha, com direito a veto) já deram seu apoio a Annan e a Assembléia Geral da ONU deverá votar na próxima sexta-eira a recomendação do Conselho.
Por um capricho do destino e pelas normas de rotação no corpo diplomáico, o encarregado dos procedimentos de reeleição será próprio Chowdhury, de que, segundo se dizia, aspirava suceder Annan, com o apoio das nações asiáticas, que queriam que um dos seus voltasse a esse cargo em 2002.
Depois da moarte do sueco Dag Hammarskjold em 1961, o cargo de secretário-geral da ONU recaiu durante três mandatos de cinco anos a representantes de diferentes blocos geográficos (o birmanês U Thant até 1971, o austríaco Kurt Waldheim até 1981 e o peruano Javier Pérez de Cuéllar até 1991).
Mas essa rotina cessou quando Annan, oriundo de Gana, substituiu, em 1o. de janeiro de 1997, o egípcio Butros Butros Ghali. Tanto Gana como Egito pertencem ao bloco africano de nações, e alguns embaixadores asiáticos chegaram a questionar se não se devia negar a Annan um segundo quinqüenio.
Em um gesto provavelemente destinado a impedir que esse tipo de conjecturas ganhassem terreno, 53 embaixadores africanos convocaram uma coletiva de imprensa, em março passado, para defender a confirmação de Annan no cargo.
Segundo funcionários da ONU, nenhum dos seis antecessores de Annan foi reeleito com meio ano de antecipação. Mas restam poucas dúvidas sobre o amplo consenso que se obterá entre os embaixadores.
"O principal critério de Kofi é como servir às Nações Unidas, ele crê apaixonadamente na ONU", comentou um dos membros do conselho de Segurança.
Annan demostrou igualmente grande destreza para substrair-se das pressões dos Estados mais poderosos, principalmente em torno da conflituosa região do Oriente Médio.
Soube tomar distâncias com a política dos Estados Unidos ante o Iraque, defendendo um alívio das sanções em geral.
Também adotou uma atitude de igual consideração em relação aos palestinos e israelenses, dentro de uma Assembléia Geral tradicionalmente inclinada a votar contra o Estado hebreu.
Annan foi um dos cinco participantes na cúpula de Sharm el-Sheikh em outubro passado, que constituiu a primeira tentativa de pôr fim à última onda de violência nos territórios palestinos.
Nascido em Kumasi, Gana, em 8 de abril de 1938, Annan se incorporu em 1962 à Organização Mundial da Saúde, um organismo da ONU, em Genebra.
Durante seu primeiro mandato, a ONU teve que enfrentar situações sem precedentes, como as de administrar dois territórios nacionais, em Timor Oriental e em Kosovo.
Annan é casado com Nane Annan, uma advogada e artista sueca, com quem tem três filhos.
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