WASHINGTON, 2 abr (AFP) - O grupo farmacêutico americano Merck começou a testar em humanos uma vacina experimental à base de ácido desoxirribonucléico (DNA) contra o vírus da imunodeficiência humana (HIV), responsável pela AIDS, informou esta segunda-feira o laboratório.
Merck não anunciou oficialmente o início dos testes clínicos, que começaram em fevereiro passado, para não incentivar falsas esperanças do público, uma vez que "(os testes) estão apenas no começo", explicou um porta-voz do grupo, Gregory Reaves.
Por ora, esta fase de testes "de imunogeneticidade" poderá prolongar-se por três anos e visa assegurar que a vacina não ocasione problemas de saúde no homem. Será apenas no início da segunda fase que sua eficiência clínica poderá ser avaliada, precisou.
Diferentes equipes de pesquisadores da Merck trabalham há muitos anos na criação de uma vacina contra o HIV, o que permitirá aos enfermos não precisar recorrer a tratamentos com base na chamada triterapia.
A idéia consiste em reforçar o sistema imunológico do paciente para impedir que o vírus possa duplicar-se, ao injetar uma vacina contendo partes do material genético (DNA) do próprio vírus.
Os testes de laboratório, primeiro em provetas e depois em macacos, provaram que a vacina não previne a infecção inicial, mas consegue bloquear a replicação do vírus nos macacos afetados, impedindo que a AIDS se declare.
Os pesquisadores visam estimular a produção de uma variedade específica de glóbulos blancos, os CD8, também chamados "células assassinas" devido à sua capacidade de destruir as células infectadas pelo vírus. Ao fazê-lo, os CD8 bloqueiam a replicação do vírus e sua capacidade de reproduzir-se.
Os cientistas descobriram há dois anos que a produção das "células assassinas" era bastante estimulada pelas proteínas fabricadas a partir dos três genes do VIH, um dos quais - chamado Gag - parecia o mais eficiente.
Diante disso, conceberam uma vacina que continha partes de genes, uma técnica chamada "DNA puro", que injetaram em macacos.
Os resultados desses primeiros testes, publicados em outubro de 2000 na revista Science, mostraram que os macacos que receberam a vacina tinha níveis quase indetectáveis do vírus no sangue.
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