JOHANNESBURGO, 6 dez (AFP) - Três Prêmios Nobel da Paz sul-africanos, Nelson Mandela, Frederik de Klerk e Desmond Tutu, participaram esta quarta-feira em um ofício religioso em Johannesburgo, simbolizando a união sagrada contra a aids, como aquela que tornou possível o "milagre" político sul-africano.
O ex-presidente Mandela, que dividiu o Prêmio Nobel da Paz em 1993 com De Klerk, último presidente do apartheid (segregação racial), declarou que o país conseguiu vencer seu passado político, e enfrentava um novo desafio com a aids, que afeta 4,2 milhões de sul-africanos, o que supõe uma pessoa em cada dez.
"Encontraremos outro milagre, ganharemos a batalha. Podemos curar nossa terra", assinalou durante a Oração pela Aids realizada na catedral da Santa Virgem, em Johannesburgo.
Mandela, como Tutu, insistiu na necessidade de mudar de atitude em relação a estes doentes. "Devemos amá-los, apertar suas mãos, são nossos irmãos e irmãs. Isolá-los equivale a matá-los", afirmou.
O ex-arcebispo anglicano de El Cabo, Desmond Tutu, Prêmio Nobel da Paz em 1984, comparou os doentes de aids com os leprosos, outrora excluídos da sociedade.
"O que fazemos hoje com os aidéticos lembra exatamente a forma, na Bíblia, pela qual eram tratados os leprosos". "Tocar um aidético é tocar Jesus", acrescentou.
De Klerk, que foi vice-presidente de Mandela de 1994 a 1996, reconheceu a importância de melhorar o nível de vida de toda a população, frisando que as comunidades mais pobres e analfabetas são as mais atingidas por esta epidemia.
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