ROMA, 1 dez (AFP) - A Aids ameaça duramente a segurança alimentar e o desenvolvimento rural dos países pobres, advertiu nesta sexta-feira em Roma a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO).
Os camponeses mais afetados estão em 25 países da África subsaariana devastados pela doença, e onde dois terços da população vivem em zonas rurais, segundo a FAO em informe divulgado por ocasião do dia mundial contra a Aids.
Nesses países, a enfermidade causou a morte de 7 milhões de camponeses desde 1985, e segundo estimativas da entidade das Nações Unidas, esse número poderá chegar a 16 milhões nos próximos 20 anos.
Como mais de um terço do Produto Interno Bruto desses países é produzido pelo setor rural, a FAO lançou um grito de alerta contra as conseqüências da epidemia para a segurança alimentar.
Segundo cálculos da FAO, no ano 2020 um país como a Namíbia poderá ter perdido 26% de sua força de trabalho agrícola, a África do Sul, 20%, e o Quênia, 17%.
A Aids representa uma verdadeira calamidade entre as pessoas de 15 a 50 anos, isto é o grupo mais produtivo, cujo desaparecimento interrompe o ciclo de conhecimentos passados de uma geração a outra.
De acordo com a FAO, existem tradições sociais que favorecem a propagação da doença, como a que obriga um homem a se casar com a viúva do irmão, um tradição difícil de ser abolida, uma vez que é a única maneira para uma mulher aceder à terra e aos alimentos.
Segundo os estudos, a mulher é a mais vulnerável e, em alguns países, as taxas de infecção são três e até cinco vezes superiores nas mulheres.
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