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Saúde-Ocidente-AIDS: A AIDS não diminui no ocidente mas os cuidados com prevenção sim
Philipe Coste
Agence France-Presse - Novembro 30 , 2000

PARIS, 30 Nov (AFP) - A poucas horas do Dia Mundial da Aids, na sexta-feira, os dados sobre a doença são preocupantes: nos países pobres a epidemia ganha terreno e nos países ocidentais, onde há acesso aos tratamentos mais caros, o crescimento da doença se estabiliza mas não diminui significativamente.

Na terça-feira, a ONUSIDA lamentou que os esforços de prevenção tenham desacelerado em países" desenvolvidos. A terapia antiretroviral fez certamente retroceder o número de doentes, mas a "cada dia acontecem novas infecções", revelou Peter Piot, diretor do organismo.

Piot alertou sobre o "crescente relaxamento" com a prevenção.

"A epidemia é muito mais importante do que antecipamos há décadas", segundo o informe. O número atual de 36 milhões e 100 mil pessoas infectadas "ultrapassa em 50% as previsões de 91 do Programa Mundial da OMS de luta contra a AIDS".

Em regiões do mundo consideradas até 99, como relativamente salvas, a América Latina, o Caribe e a Ásia do Sul e do Sudeste, o HIV se alastra com largos passos.

Além da previsível explosão na China, a doença causa estragos na Rússia, na Estônia e Lituania.

Na maioria dos países ocidentais, a chegada das triterapias acabou por provocar um relaxamento da atenção que deteve o retrocesso da doença.

Na França, aumentam as infecçõs entre heterossexuais e imigrantes e se mantém estável entre os homossexuais, apesar de não diminuir.

A Associação Francesa contra a doença, a Act Up explicou que "há um ano luta contra o relaxamento na prevenção e pela retomada do ativismo visto há dez anos, quando do auge da epidemia", explicou a presidenta da Associação, Emmanuelle Cosse.

Essa organização atua com 50 clubes de sexo parisienses, um recorde mundial. São locais equipados com "backrooms", quartos onde os clientes mantêm relações sexuais, muitas vêzes sem proteção.

"A AIDS afeta todo mundo. Há que começar do zero, ainda há que explicar para pessoas de 20 anos como se pega essa doença, e dizer para elas que praticar o 'barebacking' (manter conscientemente relações sem proteção) é arriscar a pegar uma doença que não pertenece a história antiga", explica Emmanuelle Cosse, que não para de pedir aos poderes públicos que trabalhem pela prevenção.

Graças ao Act Up, os donos desses clubes aceitaram distribuir camisinhas, mas ainda com muita timidez, segundo a presidenta da associação.

O diagnóstico tardio é outro dos aspectos preocupantes da doença. Quase a metade, 47% exatamente das pessoas afetadas pelo vírus nos dois últimos anos, descobriram ser seropositivos quando a doença tinha começado a se desenvolver.

Na França, algo mais de 20 mil pessoas sofrem da doença, entre 90 mil e 120 mil são portadores do vírus e de 35 mil a 39 mil pessoas morreram desde o início da epidemia.

Em escala mundial, mais de 36 milhões de pessoas são atualmente portadoras do vírus, 70 % na África subsahariana.

Desde o começo dos anos 80, a pandemia matou cerca de 22 milhões de pessoas, entre elas quatro milhões de crianças.

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