BERLIM, 28 nov (AFP) - A epidemia da aids estende-se na América Latina e Caribe, onde se estima que 210.00 adultos foram infectados em 2000 sendo que até o final do ano haverá 1,8 milhão de adultos e crianças com a doença; em 1999 havia 1,7 milhão de pessoas contaminadas, segundo um informe da ONUAIDS publicado nesta terça-feira em Berlim.
América Central e Caribe apresentam os índices mais elevados da região, onde o Vírus da Síndrome da Deficiência Imunológica Adquirida (HIV) é transmitido também com freqüência nas relações heterossexuais, segundo o documento.
No México, na Argentina e na Colômbia os doentes da aids estão principalmente entre os consumidores de drogas injetáveis e "entre os homens que mantêm relações entre si". Os países andinos estão entre os menos afetados pela pandemia.
Em geral, no Caribe, "o motor da transmissão heterossexual do HIV é a associação fatal do início precoce da atividade sexual e a troca freqüente de parceiros entre os jovens", segundo a ONUAIDS.
Por exemplo, em San Vicente y Granadinas, segundo uma pesquisa nacional, "uma quarta parte dos homens e das mulheres declararam ter mantido suas primeiras relações sexuais antes dos 14 anos, e a metade dos jovens de ambos os sexos eram sexualmente ativos aos 16", explica.
O Brasil, onde mais de meio milhão de adultos vivem com o HIV, "dispõe de sólidos programas de prevenção", tendo aumentado de 5% para 50% a proporção de homens jovens que usaram preservativo desde a primeira relação sexual, admite o relatório.
Além das relações heterossexuais, os brasileiros se contaminam pelo consumo de drogas injetáveis.
No total, 85.000 brasileiros contaminados "recebem tratamento proporcionado pelo Ministério da Saúde".
Na Colômbia, o informe reconhece "um débil (índice) de infecções entre os heterossexuais" extensível a toda a região andina, "pelo menos nos países dos quais se possuem dados".
Na Colômbia, 1 mulher grávida em 250 está infectada pelo vírus. "Até entre as profissionais do sexo, a cifra é inferior a 2%", diz a ONUAIDS.
Na Argentina, os grupos mais afetados são os dos consumidores de drogas injetáveis assim como os homossexuais masculinos. Uma taxa "relativamente pequena" de mulheres grávidas, 0,4%, vive com o vírus.
No que diz respeito à América Central, em Honduras, Guatemala e Belize se observa um rápido aumento da doença entre os heterossexuais, com um índice de entre 1% e 2% dos adultos infectados.
O informe cita o caso da cidade hondurenha de San Pedro de Sula, onde "o índice de infecção pelo HIV entre as mulheres grávidas flutua entre 2% e 5% há vários anos".
O fato de que grande parte das mulheres infectadas da cidade sejam adolescentes, "permite pressagiar que o pior está por vir".
Na Costa Rica e no México o HIV é transmitido sobretudo em relações não protegidas entre homens. Neste último grupo, mais de 14% dos homossexuais masculinos convivem com o vírus.
Em troca, "menos de uma mulher (mexicana) em idade de procriar em 1000 está infectada", acrescenta.
Na República Dominicana, 1 em cada 40 adultos vive com o HIV. No entanto, o país caribenho mais afetado pela pandemia é o Haiti, onde se estima que "no final de 1999, 74.000 crianças haviam perdido a mãe" por esse motivo.
"Em algumas regiões (haitianas) 13% das mulheres grávidas nas quais foi feito um teste anônimo se revelaram soropositivas", explica o texto da ONUAIDS.
No conjunto do país, cerca de "8% dos adultos de zonas urbanas e 4% das rurais" estão infectados.
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